Sunday, 15 May 2011

Dando passos por Benfica - Catedrais lado a lado

De um lado, a (principal) catedral de consumo lisboeta.
Para além de ponto de consumo de tempo para uma mole humana heterogénea, também serve para fazer as mais diversas compras.
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Do outro lado, a Catedral do Futebol, em Portugal.
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Saturday, 14 May 2011

Uhmmm, ai que rabinho tão espinhoso!

Percebeu o título?
A tábua e a tartaruga, o sol e a sombra.
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LA TORTUGA

que
anduvo
tanto tiempo
y tanto vio
con
sus
antiguos
ojos,
la tortuga
que comió
aceitunas
del más profundo
mar,
la tortuga que nadó
siete siglos
y conoció
siete
mil
primaveras,
la tortuga
blindada
contra
el calor
y el frío,
contra
los rayos y las olas,
la tortuga
amarilla
y plateada,
con severos
lunares
ambarinos
y pies de rapiña,
la tortuga
se quedó
aquí
durmiendo,
y no lo sabe.

De tan vieja
se fue
poniendo dura,
dejó
de amar las olas
y fue rígida
como una plancha de planchar.

Cerró
los ojos que
tanto
mar, cielo, tiempo y tierra
desafiaron,
y se durmió
entre las otras
piedras.

Pablo Neruda

Sunday, 1 May 2011

Deitar contas à vida


Se a minha memória não me atraiçoa, há algumas décadas que não se via um 25 de Abril e um 1º de Maio como os deste ano.

E algo me diz que este ano foi só, para ambos, o início do trajecto até ficarem enterrados a 2 metros de profundidade, num qualquer cemitério das revoluções iniciadas nos anos 60 do século passado e que, neste cantinho à beira-mar plantado, culminaram com a efectuada a 25 de Abril de 1974.

As comemorações do 25 de Abril, é o que se tem visto desde há meia dúzia de anos. Ano a ano, mais se arrastam para terem uma cerimónia de cariz nacional. Longe vai o sonho de alguns em o sustituirem ao 10 de Junho.

O 1º de Maio, nem se arrastou. Foi um ar que lhe deu de uma só vez.

Hoje, num momento em que o país se diz em austeridade, as grandes e médias superfícies comerciais apresentavam-se como qualquer outro domingo, quiçá com mais movimento de pessoas atarefadas em gastar os euros das austeridades pessoais em produtos provenientes da Europa que se pergunta se nos deve apoiar com mais euros para lhes comprarmos mais produtos ou, pior ainda, “made in China”, desenvolvidos pelo capital e know how de algumas grandes empresas europeias (mas não só) que para isso tiveram que se decidir por desempregar europeus a troco de “algumas tigelas de arroz” no outro lado do globo.

Lojas cheias, muitas promoções a apelar às oportunidades de uma compra pelo Dia da Mãe, pelo dia disto, ou apenas por aquilo, porque todos os motivos são bons para vender, “trabalhadores” a fazer aquilo para que são pagos sem um pequeno remorso na alma ou um único neurónio a lembrar o longínquo dia 1 de Maio de 1886 de Chicago.

Este país necessita, definitivamente, de deitar contas à vida.

Saturday, 30 April 2011

Outras ingenuidades mais sérias, ou talvez não

"Constituição da República Portuguesa
Artigo 162.º
Competência de fiscalização
Compete à Assembleia da República, no exercício de funções de fiscalização:
a) Vigiar pelo cumprimento da Constituição e das leis e apreciar os actos do Governo e da Administração ;
b) ... ;
c) ... ;
d) Tomar as contas do Estado e das demais entidades públicas que a lei determinar, as quais serão apresentadas até 31 de Dezembro do ano subsequente, com o parecer do Tribunal de Contas e os demais elementos necessários à sua apreciação;
e) Apreciar os relatórios de execução dos planos nacionais.
"


Alguém me sabe explicar porque é que os Partidos Políticos com assento na Assembleia da República desde há décadas, os Deputados com cadeiras de couro já gasto pelas milhares de vezes que lá botaram os seus assentos para garantirem reformas douradas por antecipação e demais mordomias, e as figuras que a ela e eles estiveram ligados, aguardaram pela chegada dos ditos Senhores da Tróika, por definição senhores que vieram de fora, para fazer o "banzé" que andam a fazer, quer nos meios de comunicação, quer com cartas e recados, especialmente os dirigidos aos "tais de fora", sobre o estado das contas do Estado, como se tal realidade fosse uma coisa que aconteceu em uma ou duas semanas anteriores ao banzé??????

Olho para o espectáculo e fazem-me lembrar prostitutas com carteiras profissionais passadas há anos e já gastas por tanto uso, a gritarem a todos os ventos que são virgens puras e só agora estão a sentir, por simpatia para com aqueles que realmente se sentem "sem protecção rectal", a violação criminosa que é um Estado incumprir (com a maioria da parte que forma a contraparte) o contrato social que há muito firmou com os cidadãos.

Haja vergonha!!

Friday, 29 April 2011

Ingenuidades


Podes viajar para o outro lado do mundo, podes esconder-te no canto mais escuro de uma profunda caverna, ou colocares-te disfarçada atrás de uma máscara assustadora.

A mim, basta-me um pensamento para logo te ver e sentir.
AGRIDOCE, in Umtuganatuga
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Sunday, 17 April 2011

Aqueduto das Águas Livres, Lisboa.

Olhares a partir de Monsanto sobre as Amoreiras.


Olhares verdes por Monsanto, em Lisboa ...

... mas com cor.

"From my rotting body, flowers shall grow and I am in them and that is eternity."
Thomas Moore (1779 – 1852)

Tuesday, 12 April 2011

Por tierras de España - Sevilla, Jerez y Sanlúcar - Flashes


São só meia dúzia de olhares, meia dúzia de flashes onde os de Sevilha são preponderantes, alguns de Jerez de la Frontera e há só um de Sanlúcar de Barrameda.

Sanlúcar de Barrameda
Até era o destino principal, nem tanto pela cidade em si, mas como plataforma de entrada e saída do Parque Nacional de Doñana.
Um desencontro de horas entre o meu relógio e as do barco (que acabara de sair, perdido por um ou dois minutos), talvez o momento do calendário (em que a afluência de visitantes ainda não justifica a introdução de mais saídas de barcos) e a má preparação da visita em si mesmo (confiei que nunca iria ter esse problema e, por isso, não olhei em pormenor como as coisas funcionam) levaram-me a entrar e sair de Sanlúcar tão rápido que nem deu para grandes olhares. Já quase fora dos seus limites, ainda parei para captar uma rolante e preciosa peça de museu, um Ford A, à porta de um estabelecimento de "sucatas".

Jerez de la Frontera
Achei-a um pouco escura a mais, meio necessitada de obras de reabilitação da parte velha, afinal, a que mais interessa visitar. Ainda por cima, apanhei quase tudo fechado (era domingo cedo). Foram alguns olhares a mais que Sanlúcar, mas não muitos. Ficou-me a ideia que será uma cidade a incluir novamente no roteiro, porque me pareceu ter muitas potencialidades turísticas.

Sevilla
Quedei-me um pouco mais por Sevilha. Duas, três, quatro voltas ao antigo perímetro onde passei umas quantas horas em filas sem fim, aquando da Exposição Universal de Sevilha, de 1992. Já me tinham contado que o espaço luta por voltar a viver mas... a luta continua, e não parece ter fim num curto horizonte. É uma pena. Mas é uma cidade que merece sempre mais uma visita. Os meus olhares de hoje começam por Sevilha.

Até à próxima.

Monday, 4 April 2011

Por tierras de España - Cadiz


Cadiz ficou-me gravada na memória, já lá vão uns vinte e tal anos, e não foi pelas melhores razões. Fui fazer as pazes com a cidade.

Já se viam os festejos da Páscoa que se avizinha, com ensaios em cada canto e espaços a serem preparados para as procissões; a noite, como as noites em toda a Espanha, tem uma vida prenhe, com as ruas e vielas cheias de juventude dos oito aos oitenta; vi jovens trajados de uma forma estranha, que não consegui determinar, com toda a certeza, se eram trajes ocasionais ou eram permanentes, ligados a um status específico. Até porque algumas pessoas de idade mais ou menos avançada também estavam sintonisadas na mesma onda. Apreciei as entradas dos edifícios da parte antiga, com mosaicos estilo árabe.

Aqui ficam alguns olhares de Cadiz

Friday, 1 April 2011

Ergue-te de novo, oh Portugal milenar!


Esta República (leia-se, regime iniciado em Abril de 1974) já deu o que tinha a dar.

A culpa foi dos capitães de Abril que se lançaram numa aventura a que chamaram revolução, sem prepararem "A Revolução", não medindo as consequências aos diversos níveis que necessariamente deveria ter sido fácil perceber iria verificar-se. Deixaram-nos de positivo a Democracia, mas a que preço, Deus meu!

A culpa foi dos presidentes da república, de todos os que tivemos até ao actual, que exerceram a primeira magistratura a olhar para a segunda, e nesta a tentarem ser primeiros ministros.

A culpa foi dos primeiros ministros e dos ministros e restantes equipas dos seus governos, de todos os que tivemos até aos actuais, porque parece terem aceite a tarefa, que devia ser a de governar a coisa pública, para fazerem política baixa e de clientelas garantidas, em vez das necessárias, por mais duras que fossem, propiciando a que comunidade portuguesa levantasse de um voo rasteiro que o anterior regime lhes ensinara a voar; não a olhar para megalomanias irreais para um país como nosso, ainda por cima donde ficaram fumos (com poucas excepções) de, a coberto de medidas ditas a bem de toda a comunidade, só a alguns parece terem engordado.

A culpa foi dos parlamentares de todas as legislaturas, de todos os que tivemos até aos actuais, enquanto detentores do poder constitucional que lhes garantia poderem tomar as melhores medidas legislativas orientadoras para toda a comunidade, debatendo as situações com verdade e honestidade, sem recurso, sempre em crescendo, a chicana no discurso e nos objectivos.

A culpa tem sido dos partidos políticos que têm aparecido no nosso mosaico parlamentar porque, com o tempo, se tornaram todos iguais nos objectivos por que lutam (não disse ideais, porque nenhum parece já saber o que isso é), na forma de fazer politica, no discurso repetitivo e gasto de más provas dadas, mas sempre teimosos a dar mais do mesmo, violando leis de que foram a fábrica, o armazem e o estabelecimento comercial de venda ao consumo.

A culpa tem sido das taínhas que vivem nos e dos partidos políticos e, muito especialmente, de quem os deixa navegar à babugem.

A culpa tem sido das empresas corruptoras e dos corrompidos, que engordam ilícita e egoisticamente, quando as tarefas são, ou deveriam ser, de âmbito e interesse nacional. Dos que engoliram e ajudaram a engolir os milhões de euros que aportaram à costa nacional, sem deixar rasto de desenvolvimento de costumes, de educação, de investigação científica e de economia.

A culpa tem sido de quem intervém nos órgãos de comunicação social, porque saídos dos mesmo forno que está a acabar, pensaram que informar é dar palpites sem estudar, é lançar suspeitas sobre cidadãos sem investigar, é ficarem cegos pelos focos das cameras.

A culpa tem sido dos magistrados, dos judiciais e dos públicos, que também se deixaram enredar no turbilhão do tudo vale para ter um segundo de atenção na TV, na rádio e na imprensa.

A culpa tem sido de todos nós, novamente eles incluídos, porque temos preferido dar passos a descer, que são mais fáceis, mesmo que o fim da descida esteja ali mesmo à vista e a seguir se veja o precipício sem escapatória possível, a uma caminhada serra acima, mais longa, mais difícil, mas com futuro melhor e garantido; do melhor agora, mesmo que se esgote num segundo, do que trabalhar para um depois mais longo, conduta que foi assente na adquirida sensação de que se assim não for, "eles comem tudo e não deixam nada".

É tempo de mudança, é tempo de mudar de rumo, e muito rapidamente. Os 800 anos que temos da mais velha nação europeia estável nas fronteiras e na cultura, não serão garantia de que continuaremos a sê-lo nos próximos 800 minutos. O potente e pesado cilindro da globalização e do poder que o colocou nesta nova marcha, de há meia dúzia de anos, não nos vai perdoar e ficaremos todos esmagados.

É tempo de se pensar em eleger uma Assembleia Constituinte ex-novo, à parte da AR que deverá continuar em funções, pescada de gente que saiba e consiga pensar Portugal para lá de lutas partidárias, com o objectivo de pensar Portugal a longo prazo e um novo rumo a curto-médio prazo, para fundar uma nova democracia, assente em linhas claras, órgãos eficientes, administração pública magra mas funcionalmente definida, com as actividades privadas sem pecados públicos e vice-versa, com pessoas e cargos responsáveis, responsabilizáveis e responsabilizados, com educação massificada mas não embrutalhada, com saúde pública tendencialmente gratuita, porque a saúde é rigorosamente de interesse público, com magistrados que exerçam a justiça em vez de se lançarem em lutas de operariado e passadas partidárias, com autoridades policiais que o sejam e possam ser, sem abusar, uma nova democracia em que todos e cada um dos que nela estejam tenham imbuídos os sentimentos de partilha, trabalho, liberdade, responsabilidade sempre presentes, na certeza de que o que é bom para a comunidade portuguesa, vai e terá que ser bom para cada um dos que a ela pertence. Uma nova democracia da qual renasçam partidos políticos constituídos por gente que saiba por que eles existem e porque é que eles podem deixar de existir.

Wednesday, 30 March 2011

Seagulls


São uma praga!

São insuportáveis, com tanto escarcéu que fazem!

Já invadiram todo o território costeiro e entraram alguns quilómetros dentro do que estava reservado aos humanos.

Como se alimentam de quase tudo, mas muito especialmente de alimentação residente dentro dos mares, engolem litros de água salgada na sua fome voraz. Resultado, são piores do que as pombas que, tal como elas, são umas desavergonhadas, cagando por tudo quanto é lado, fazendo pontaria às cabeças de todos nós, pobres humanos. Há quem diga que os políticos, em momentos de longa meditação, se expõem tanto às pombas e às gaivotas que até lá por dentro já estão repletos das suas marcas aéreas penosas.

Odeio estes animais, as gaivotas, porque fazem questão de acertar no meu carro que, sendo preto, assim fica marcado de selos brancos que logo têm que ser lavados a correr, antes de começarem a comer a tinta, tão ácidos e salgados são os seus selos.

Se eu também voasse, obrigava-as a irem limpar o que tinham feito, lambendo tudo, para me pouparem uns euros nas lavagens da chapa.

Mas são graciosas no seu voo, atraentes à vista, lindas com a sua cobertura de penas sempre limpas e sedosas, com uns olhos curiosos e multicolores, calmas à nossa aproximação, embora super-desconfiadas, afoitas à oferta de comida.

Por isso, não resisto a captá-las em fotos, das quais algumas aqui ficam.


Thursday, 24 March 2011

Rally de Portugal 2011 - WRC. LISBOA


Hoje, foi dia de rally, em Lisboa (Praça do Império - Mosteiro dos Jerónimos).

Refiro-me ao dos carros de desporto, que o outro, o dos partidos políticos, já se sentiam os motores a aquecer desde há umas semanas!

Cheguei um pouco tarde e, depois de dar umas voltas que nem "burro à procura de sombra para dormir", calhou-me uma "aberta" numa bancada, onde uma parte estava sentada e eu, esticadinho num canto (aparece sempre uma cabeça mais alta que a nossa), em pé durante toda a prova. Para complicar, estranha coisa a de colocarem uma bancada exactamente no local onde teriam que estacionar carros de bombeiros e ambulâncias bem em frente, tapando uma boa parte da visibilidade do percurso. Ficou-me, a mim e a muitos, uma nesguinha para tirar umas fotos.

O dia, sem estar ensolarado, estava bonito. Mas o ar fresco fez com que algum pessoal, da bancada do outro lado, necessitasse de ser aquecido pelos agentes de autoridade. Registei uma das vezes. Há sempre alguém que aparece em eventos desportivos só para ver se estraga o acontecimento.

Apanhei, ainda antes das provas, o piloto português melhor classificado, A. Araújo, que trago especialmente para as meninas visitantes, e, para os meninos não se queixarem de discriminação, deixo umas vistas bem giraças.

Acelerem, que têm muito circuito para percorrer.

Tuesday, 22 March 2011

MAFRA - meia dúzia de piscadelas


Domingo cheio de sol, os aromas da boa comida bem bebida levaram-me a Mafra.

Sobraram-me alguns segundos para deixar meia dúzia de olhares sobre o Convento.

Monday, 21 March 2011

PEC IV e inconstitucionalidades


Sejamos claros!
Qualquer medida governativa, seja legislativa ou simplesmente administrativa, pode e deve ser objecto de uma crítica sob a lupa da sua constitucionalidade.

Antes de tudo e de todos os demais, por quem exerce a iniciativa das mesmas, passando depois aos demais órgãos com poderes para tal, acabando em todos nós, que com elas vamos sofrer ou, cada vez mais só para alguns, delas vão beneficiar.

O problema é quando os órgãos que nos governam, prime o Governo, mas também a  AR e o Presidente de todos os portugueses, precisam que um medida como a do PEC IV, como já aconteceu de forma similar com o PEC III, venha a ser posta judicialmente em causa para se concluir que é inconstitucional.

Em minha opinião, é esta ausência de simplificação legislativa, esta forma de utilizar a forma de forma abusiva (pleonasmo propositado), que tem levado ao lodaçal do sistema judicial, por tantas injustiças permitir, sempre cobertas pela lei. Os princípios, os valores que deveriam orientar toda a comunidade portuguesa no seu dia a dia, deveriam estar tão claramente absorvidos por todos, e com tão poucas excepções e especialidades, que toda a comunidade, por pura intuição, os teria em conta antes de dar cada passo.

O nosso direito continua a afastar-se dos "princípios axiomáticos" da boa e justa convivência da comunidade, ao mesmo tempo que se lança nas medidas legislativas e administrativas fabricantes de fumos.

Deveria haver alguma possibilidade, num Estado de Direito, de se questionar que um imposto, ou que quer que seja que lhe venham a chamar (ao que parece, ainda não se sabe bem o que é que, mensalmente, leva centenas de euros dos salários de apenas uma parte dos cidadãos - os funcionários públicos), que tem em vista produzir receitas nacionais necessárias para cobrir responsabilidades que a crise económico-financeira nacional impede o Estado de cumprir, e que vai ser lançado só sobre parte dos cidadãos dessa comunidade, desse Estado, é ou não constitucional?

E que dizer do limite definido - € 1500, quer na medida que foi lançada no ano passado sobre os funcionários públicos no activo, e da que agora se anuncia que vai abranger os que estão na aposentação, como sendo o medidor a partir do qual se considera ser um português rico?

Então caminhamos, ou não deviamos caminhar, para uma equiparação aos cidadãos dos Estados da Europa de que fazemos parte, ou vamos no sentido de uma boa parte dos Estados do mundo subdesenvolvido?
Não tarda, vamos ver empresas do Oriente a externelizar as suas fábricas para Portugal, dando aos seus empregados um tigela de arroz por dia e uma enxerga junto ao manípulo da máquina onde trabalha cada cidadão português, e ainda vamos ficar agradecidos por tal realidade estar a acontecer.
E vivam os direitos sociais!

E será que se lembram que quem entrou para a aposentação neste ano de 2011, já sofreu as medidas de redução do ano passado, tendo a sua pensão sido reduzida pela outra medida?
Vão pagar duas vezes?

Sunday, 20 March 2011

CATUMBELA INVADE LOBITO.


Um "grupo de catumbelenses da pesada", que habitualmente vai ao peixinho setubalense, pelo menos uma vez ao mês, para pescar conversa durante a tarde, resolveu alterar o azimute e, desta vez, invadiu territórios lobitangas. Aterrou para os lados de Palmela (Vale de Cantadores), no LUDPARK, espaço de lobitanga de gema com alguns "lobitangas infiltrados", que ficou aprovado, e correram que nem desalmados atrás de leitões a rir no espeto, à moda da Bairrada, a escorregar em espumante.

É uma das coisas boas que se levam desta vida!

Fica a foto para a posteridade.
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Thursday, 3 March 2011

Olhar sobre leituras de fevereiro


Tenho uma forte auto-disciplina nos acessos às livrarias, o que me dá alguma folga acrescida ao meu orçamento mensal. Mas quando por lá caio, raramente saio sem um saco com alguns exemplares de livros que auto-prometo não lhes vai acontecer o mesmo que aos últimos, penúltimos, antepenúltimos, etc, etc, etc. É verdade que a tendência dos amigos e familiares, nos natais e aniversários (sim, o plural está correcto), e outras ocasiões, já que todas são boas, também ajudam ao constante acumular de folhas para ler. Ah, e o tempo, o que me falta em velocidade progressivamente acelerada pelo relógio dos dias que se riscam no calendário que me foi oferecido pela natureza, lá vai ditando, também, o crescer da “prateleira com livros para ler”.

A última vez que entrei na livraria da FNAC do Chiado, à hora de almoço e de descompressão e preparação para mais uma tarde de trabalho, acompanhado de um colega e amigo – local a que vou sempre que a auto-disciplina está ausente - já eu tinha nas mãos a minha selecção de leituras futuras, com 3 livros, e ele apareceu-me com mais um, garantindo que seria uma boa e rápida leitura. Olhei para a capa e torci o nariz, não pelo nome do autor, que prometia, mas pelo título e a imagem que coloria a capa. Veio-me à ideia o livro de John Coetzee, “Desgraça”, mas ele garantiu-me que iria ser uma leitura melhor.

Acabei de o ler há poucos dias. Eis porque hoje o trago para cá. Mas também porque o achei com um enredo de sucção permanente para a página seguinte, com muitos monólogos dialogados na interrogativa, não se persebe bem se com o leitor, se com o próprio autor, com um discurso de palavras fortes (li a versão portuguesa, mas acredito que a tradução espelha bastante o original) e sentimentos arrasantes, onde perpassa um fio condutor de moral fraturante e, muito especialmente, se desmistificam alguns preconceitos, onde o climax se atinge com um misto de fim esperado e, ao mesmo tempo, de total surpresa, onde fica suspensa a ideia que o autor tem para nos transmitir em relação ao título que escolheu. Quem é, afinal, o animal moribundo do autor?

Claro que me referi, de uma forma muito resumida, à minha perspectiva da leitura seleccionada para comentar no blogue.

Vou partir para mais uma viagem literária, não tarda nada, agora que os grãos da âmbula superior da ampulheta me parecem descer cada vez mais depressa, exactamente quando se inicia um período de vida que devia contrariar essa visão, e os dias e as noites tenderão a ficar mais longas.

Para os que ainda não leram, espero que não os tenha defraudado com este meu comentário.

Até à minha próxima leitura.

“The dying animal”
“El animal moribundo”
2001

Monday, 28 February 2011

Viagem ao outro lado


"Vamos embora filho.
É quase quarta-feira, e aproveito a apresentar-te a um CLUBE GRANDE , que fica aqui mesmo do outro lado da estrada."

Saturday, 5 February 2011

De Alfama ao Rossio, à beira-rio. Vistas.

Esteve um dia de primavera estival, em pleno inverno, este sábado. Até os casais de pardais esvoaçavam o fulgor da paixão primaveril. Resolvi ir ver alguns cantos e pormenores de Alfama ao Rossio e Praça da Figueira, sem me afastar muito do Rio Tejo. Surpreendeu-me - a mim que por ali passo há décadas, sempre a tentar ver o seu interior - ver a Igreja de São Miguel de porta aberta, melhor dizendo, entreaberta. Espreitei e espantei. Porque será que parecem esconder toda a beleza que encerra? Do altar de talha dourada - dos mais bonitos que vi, ao tecto e à própria arquitectura interior, é digna de uma visita. Pena foi a falta de iluminação, que prejudicou uma melhor recolha de imagens para vos aguçar o apetite. Tentem, mas desde já vos aviso que não é fácil encontrar a porta aberta. De resto, foi ir tirando uma foto aqui, outra ali, a este ou aquele canto ou pormenor que penso deve ser visto por quem não pode cá vir ou estar. Parei no Rossio, onde se ergue o pedestal a D. Pedro IV de Portugal, Primeiro Imperador do Brasil, virei para a Praça da Figueira e apanhei D. João I, Mestre de Avis, a galope no seu cavalo. Até à próxima.

Thursday, 13 January 2011

Quem diria?

Acordei e fui à janela, como o faço habitualmente. Gosto de ver a noite de costas, adivinhar o dia que a meteorologia me reservou durante o sono. Estava um dia frio, de sol que se pressentia acima do nevoeiro carregado a escurecer o céu e o horizonte. E assim permaneceu até este momento, em que regressei à mesma janela, ao fim do dia. Senti uma imprevisível nostalgia pelos dias de Bruxelas. Quem diria?! Ao menos, por lá, não há enganos: é terra de dia sem sol desde que nos levantamos, por muito tarde da manhã que aconteça, até ao deitar, confundindo-se a sua natureza com a da noite de 24 horas. Chove, neva, há nevoeiros cerrados, mas nem é necessário ir à janela confirmar que assim será. Não há traições depressivas. E passei horas a fio de hoje a passear de Cortenbergh à Grand-Place, passando pelo Terreiro do Paço a olhar pelos edifícios da burocracia comunitária, o Berlaymont, o Charlemagne, o Justus Lipsius, Rua de La Loi fora, saboreei um chocolate quente, acabado de escorrer chávena dentro, goela abaixo, já de volta pelo Grand Sablon, e saí do torpor hipnótico já cansado, descendo o Chiado, hora de almoço chegada com olhos fundidos com o jantar. Hoje voltaria a Bruxelas, que não teria mais frio e nem estaria mais deprimido do que em Lisboa. Quem diria?