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Thursday, 15 December 2011

Madeiras, offshores (??), dinheiros e legalidades

Não vi esta entrevista, dada ao autor do livro "Suite 605", quando passou na TV.
(Ainda) não li o livro, de João Pedro Martins, mas espero encontrá-lo rapidamente, para o comprar e ler. Um tema que contém muitos prós e contras, mas que é mostrado de uma perspectiva que me deixa com muita curiosidade em aprofundar além do que vi na entrevista.
De qualquer forma, acho que vão gostar de a ver.
Aqui fica.

Friday, 19 August 2011

Quando Lisboa tremeu


Não tarda, temos o Natal a entrar-nos porta dentro.
Todos os anos, por essa altura, entra também pela porta aberta da chaminé que cai na lareira de fogo rodopiante, olhos postos nos flocos de neve a cair de pára-quedas na parte de fora - quadro que ficciono desde que me lembro das primeiras imagens do mundo, quando o Natal era no verão - "uma resma" de papel impresso que fica mais valorizado porque vem encapado e sob a forma de livros, uns quantos com umas palavras simpáticas escritas por quem mos faz chegar. Sempre que os recebo, penso na montanha de horas que vou necessitar para os devorar, ainda por cima, acumulados aos que poucos dias antes entraram no meu dia de aniversário. Ah, e aos que vou tomando aqui e ali, nesta ou naquela livraria.
E o meu aniversário e o Natal deste ano não tardam, que os relógios que consulto, desde há uns tempos, me parecem ter os motores demasiado acelerados. Tenho pois que vagar a prateleira dos não lidos, para dar lugar aos que para aí se perfilam.
Tudo isto para vos dizer que, entre uns tantos mais, acabo de ler o romance "Quando Lisboa tremeu".
É um bom filme ficcionado do terramoto e do maremoto que assolou Lisboa, em 1755, e das suas consequências.
Corrosivo quando olha aos fanatismos religiosos, leva-nos a uma viagem aos tempos em que os cuidados de limpeza, higiene e saúde estavam muito longe dos que actualmente temos (mesmo que sujeitos a críticas), à baixeza de sentimentos humanos que em cada canto de desgraça espreita uma janela de oportunidade de apropriação do alheio, incluindo do maior bem que é a vida, muitas vezes a troco do nada, de como é sempre possível ver meia dúzia de pessoas que, sem perder o coração, conseguem utilizar a razão para praticar o bem, de como aquele sentimento mais humano e de produção de vida, o amor, se mantém. Tudo num caldeirão que fervilha no meio do medo, da destruição, da incerteza e insegurança, do egoísmo no momento da tentativa de fuga, na grandeza dos animais que não são humanos ... ah, and last but not the least, entre sentimentos puros ou traiçoeiros, ou que o momento leva a pensar ser a última oportunidade de provar o cálice do prazer e da felicidade, com um enredo de paixões e de amores que atinge o seu climax no final do livro, surpreendendo o leitor, mesmo quando já se pensa que nada mais o poderia surpreender naquela estória.
Tenham um bom fim de semana e uma boa leitura.
Capa Completa

Monday, 1 August 2011

A Casa da Restinga


Tinha prometido vir falar, novamente, de um amigo e, muito especialmente, da sua última obra intitulada “A Casa da Restinga”. O livro lê-se de corrida e, pelo menos para mim, mas acho que, pelo menos, para quem tem o Lobito e Angola no coração, como é o meu caso, foi e será uma boa experiência.
Por motivos que, infelizmente, não posso dizer que me são alheios, embora involuntários (uma falha minha levou-me a clicar no link de uma mensagem electrónica, cuja indicação do remetente me devia ter colocado de sobreaviso, e... aconteceu: computador em muletas a ir para os técnicos. Em tempo de férias, é sabido que leva sempre mais dias a regressar com os ossos “quase” todos no sítio), fizeram com que só agora voltasse a esta minha página.
“A Casa da Restinga” tem no estilo romance, com que vem anunciado, o seu pano de fundo para, por ele, o autor discorrer a matéria principal, o seu objectivo, num misto ora de discurso histórico ficcionado, embora assente em pesquisas documentais, ora de discurso opinativo, passando a sua perspectiva pessoal e crítica acerca da história política, militar, social e económica de Angola, ora, muito indirectamente, de discurso sentimental e descritivo dos locais e modos de vida lobitangas mais ou menos actualizados, com certeza mais assente em vivências de terceiras pessoas que por lá ainda permanecem ou por lá permaneceram até mais tarde, do que por vivência própria. Isto digo eu.
Do título do livro poderia induzir-se que toda a trama se desenrolaria na Restinga. Não é assim. Somos também levados a outros cantos, nomeadamente, à Baía Azul, a maravilhosa praia azul-esmeralda de Benguela.
A Restinga é um bairro da cidade do Lobito, Angola, que se estende pela restinga ali existente e que foi sendo aumentada ao longo de anos, desde a zona da Colina do Sol, uma obra de arte da engenharia civil, até ao Farol, na ponta oposta.
O Lobito não necessitaria da Restinga para ser considerada a “Sala de Visitas de Angola”, mas aquela língua de areia e rocha mar adentro, atirando para um lado o mar com ondulação forte a perder-se num horizonte sem fim e, para o outro lado, o que dele restava amansado em forma de piscina, permitiu a que no meio se tivesse construído aquele bairro – A Restinga, acrescentou um considerável grau de beleza à cidade. Foi aí que, durante o período colonial, se ergueu o bairro mais chique da cidade e que ainda hoje, ao que sei, mantém a sua velha beleza sempre jovem. Foi esse o bairro escolhido pelo autor para fazer passar a maior parte da trama.
Não podia passar sem vos deixar algumas palavras de apresentação do livro, que o autor me endereçou quando do lançamento:

É um livro que escrevi com paixão, força e até traição. Também como ajuste de contas com a História, pois falo de guerra e de paz. Uma história de amor e de dor. Um livro resistente que suporta o sal das minhas lágrimas. Um livro de memórias de um tempo que foi o nosso e dos outros que por lá ficaram em Angola. Com revelações e confissões. Cheio de vida. Uma tentação para quando só nos resta a imaginação.
Carlos Ganhão


Deixou-me intrigado aquela afirmação de que o livro tinha sido escrito com ... “até traição”. E assim continuo, embora tenha já uma justificação. Assim que estiver com ele não vou perder a hipótese de o questinonar sobre essa parte, até porque ...“cada cabeça, sua sentença”.
CapaCompleta

Tuesday, 12 July 2011

Dembos - a floresta do medo


DEMBOS para blogue
Deu à estampa, em Abril de 2007, este livro, primeira obra de um amigo de infância.

"Apresentado como romance, para mim é mais um conjunto de contos sobre duras experiências vividas, ainda que, por haver alguns elos de ligação entre eles, possa cair naqueloutra forma.
Discurso simples, mas bem escrito, vivo e sempre a prender o passo seguinte, foi leitura de alguns dias, propositadamente lenta, refreada, para poder sorver o prazer do filme que a narrativa me trouxe à mente, embora nunca tivesse ido até aos locais (reais) onde se passam as principais aventuras. Mas vivi algumas bem parecidas. E gostava de conhecer aquelas paragens. A forma como elas são pintadas, ofereceram-me essa viagem. A possível, para já.
Sente-se que a obra é despretensiosa quanto a querer vir a ser um “best-seller”, mas não esconde o objectivo de deixar fotos sob a forma de palavras (ainda que genéricas e, por isso, com alguns riscos – esta é a minha opinião):
- do que sentiu e sentia a juventude de então, naquelas duras condições, e de como em Angola, naquela época, se pensava sobre a guerrilha pela independência, na perspectiva de um dos lados, ou da defesa do território sob o poder político de Portugal, na do outro lado, e como ela se desenrolava;
- as barreiras mentais e culturais das gentes que apareciam idas da Metrópole (assim chamado o actual “torrão” lusitano) e as daquelas que lá tinham nascido, ou crescido desde muito cedo ou vivido uns quantos anos, pelo menos enquanto aqueles não bebiam e ficavam embebidos de uma maneira de ver a vida e o mundo bem diferente, bem mais avançado que era, sem dúvida, a dos angolanos;
- das conversas sobre os desejos e esperanças políticas que já eram sentidos pela massa humana residente, especialmente a mais jovem, que já sentiam que só passos autonómicos, quiçá de independência, poderiam levar a uma mudança do que de errado se fazia e estava à vista de quem queria ver, pese a perspectiva política ser ainda embrionária... mas livre;
- enfim, um testemunho do final dos anos de sessenta e início dos setenta, que antecederam a Revolução de Abril, tendo como palco principal aquela que foi uma das matas mais traiçoeiras de então.
Especialmente para quem por lá andou, de camuflado vestido e arma aperrada, ou não, ou para aqueles que sentem alguma curiosidade sobre aqueles espaços geográficos e temporais, aconselho a sua leitura (não tenho qualquer comissão, apenas comprei o livro e gostei)."

Isto escrevia eu no meu blogue de então, em 2007, num conjunto de posts que foram perdidos, por isso aqui o republico.

Eis que veio à luz do dia mais uma obra sua, o qual estou a acabar de ler e, por isso, ficará para um novo post.

Thursday, 3 March 2011

Olhar sobre leituras de fevereiro


Tenho uma forte auto-disciplina nos acessos às livrarias, o que me dá alguma folga acrescida ao meu orçamento mensal. Mas quando por lá caio, raramente saio sem um saco com alguns exemplares de livros que auto-prometo não lhes vai acontecer o mesmo que aos últimos, penúltimos, antepenúltimos, etc, etc, etc. É verdade que a tendência dos amigos e familiares, nos natais e aniversários (sim, o plural está correcto), e outras ocasiões, já que todas são boas, também ajudam ao constante acumular de folhas para ler. Ah, e o tempo, o que me falta em velocidade progressivamente acelerada pelo relógio dos dias que se riscam no calendário que me foi oferecido pela natureza, lá vai ditando, também, o crescer da “prateleira com livros para ler”.

A última vez que entrei na livraria da FNAC do Chiado, à hora de almoço e de descompressão e preparação para mais uma tarde de trabalho, acompanhado de um colega e amigo – local a que vou sempre que a auto-disciplina está ausente - já eu tinha nas mãos a minha selecção de leituras futuras, com 3 livros, e ele apareceu-me com mais um, garantindo que seria uma boa e rápida leitura. Olhei para a capa e torci o nariz, não pelo nome do autor, que prometia, mas pelo título e a imagem que coloria a capa. Veio-me à ideia o livro de John Coetzee, “Desgraça”, mas ele garantiu-me que iria ser uma leitura melhor.

Acabei de o ler há poucos dias. Eis porque hoje o trago para cá. Mas também porque o achei com um enredo de sucção permanente para a página seguinte, com muitos monólogos dialogados na interrogativa, não se persebe bem se com o leitor, se com o próprio autor, com um discurso de palavras fortes (li a versão portuguesa, mas acredito que a tradução espelha bastante o original) e sentimentos arrasantes, onde perpassa um fio condutor de moral fraturante e, muito especialmente, se desmistificam alguns preconceitos, onde o climax se atinge com um misto de fim esperado e, ao mesmo tempo, de total surpresa, onde fica suspensa a ideia que o autor tem para nos transmitir em relação ao título que escolheu. Quem é, afinal, o animal moribundo do autor?

Claro que me referi, de uma forma muito resumida, à minha perspectiva da leitura seleccionada para comentar no blogue.

Vou partir para mais uma viagem literária, não tarda nada, agora que os grãos da âmbula superior da ampulheta me parecem descer cada vez mais depressa, exactamente quando se inicia um período de vida que devia contrariar essa visão, e os dias e as noites tenderão a ficar mais longas.

Para os que ainda não leram, espero que não os tenha defraudado com este meu comentário.

Até à minha próxima leitura.

“The dying animal”
“El animal moribundo”
2001

Thursday, 24 June 2010

"Chão de Kanâmbua" ...

... (ou "O Feitiço de Kangombe") - da "Chiado Editora", Colecção Viagens na Ficção. Vou começar a leitura deste livro, este fim-de-semana. O primo do autor - meu grande amigo de longa data - enviou-me um e-mail desde terras angolanas, onde reside, a alertar-me para o lançamento da obra. Lá estive no sábado passado (19.06) e aproveitei a presença do autor (o pai nasceu no Lobito), para me autografar o exemplar que comprei. A obra apresenta-se como ficção assente em factos históricos. O enredo decorre pelas terras de Malange, na segunda metade do século XIX, tentando reproduzir ambientes, mentalidades e comportamentos. A abordagem feita pelo prefácio e introdução, promete. Tenho uma boa expectativa na sua leitura eespero não me enganar. A capa retrata o avô do autor e empregados da sua fazenda em Kilengues, cerca de 1910. Virei mais tarde deixar os meus comentários, se houver algum interesse para alguém.