Tuesday, 14 June 2011

Vendo os comboios chegar e partir de Lisboa


Lisboa
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Estação de Santa Apolónia.
Junto ao Cais do Jardim do Tabaco, no Tejo.
Lisboa.

Sunday, 12 June 2011

Santos populares


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Junho é o mês grande, em Portugal. Mesmo se comparado ao mês das férias por excelência (Agosto), que tem mais um dia de calendário.

Os santos saltam prá rua e há arraiais em cada porta.

Em Lisboa, de vez em quando, o calendário é excepcionalmente generoso. O dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas dá as mãos ao dia da cidade e de Santo António, deixando o fim de semana a ligá-los.

Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto, ...

É nos bairros históricos que a festa ocupa todos os espaços, onde as pessoas se acotovelam, com o cheiro da sardinha assada a voar com o fumo das grelhas até todos os sensores olfativos que se encontrem nas redondezas, não deixando nenhum apetite de fora; são as mesas cheias e a algazarra no ar; são os sons das marchas populares a pedir uns pés de dança nos diminutos espaços dos recintos improvisados que ainda se encontram livres, é o vinho e a cerveja a correr. São os vasos de manjerico enfeitados com cravos de papel a acompanhar as quadras alegóricas ao Santo António, padroeiro da cidade, aos casamentos e ao amor.

E às centenas de quadras já existentes, nasce mais uma:

Pró S. António dar gozo,
Traz-me um arco, um balão
E um beijo bem caloroso,
Qu'eu dou-te o meu coração.
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Friday, 10 June 2011

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Estátua ao Adamastor, em Lisboa - - - - -

Hoje houve um misto entre festa no ar e olhares espelhando excesso de peso nas almas da maioria dos portugueses.

O Mostrengo reapareceu e ameaça.

Houve discursos carregados de críticas ao passado, telescópios apontados ao futuro, pedidos de Passos bem dados no presente.

Excelente o discurso de António Barreto. Tirem-se as consequências. Todas.

Hoje também é dia de festa da Nação que teima durar e durar e durar, pesem os seus estreitos limites geográficos. Conseguiu sair deste pequeno jardim mal tratado e deixar uma Pátria espalhada pelos cinco ventos, que se ouve e faz entender, por onde quer que se ande.

E é tempo de lembrar aquele que bem alto soube cantar os feitos heróicos deste nobre povo lusitano, porque o dia também é dele.

Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!

E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
E navegar nos longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:

Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do úmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mi que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo largo mar e pola terra
Que inda hás de sojugar com dura guerra.

Mais ia por diante o monstro horrendo
Dizendo nossos fados, quando, alçado,
Lhe disse eu: - Que és tu? Que esse estupendo
Corpo certo me tem maravilhado!
A boca e os olhos negros retorcendo
E dando um espantoso e grande brado,
Me respondeu, com voz pesada e amara,
Como quem da pergunta lhe pesara:

Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompônio, Estrabo,
Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda a africana costa acabo
Neste meu nunca visto promontório,
Que pera o Pólo Antártico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende.

Fui dos filhos aspérrimos da Terra,
Qual Encélado, Egeu e Centimano;
Chamei-me Adamastor e fui na guerra
Contra o que vibra os raios de Vulcano;
Não que pusesse serra sobre serra,
Mas conquistando as ondas do Oceano,
Fui capitão do mar, por onde andava
A armada de Neptuno, que eu buscava.

Eram já neste tempo meus Irmãos
Vencidos e em miséria extrema postos,
E, por mais segurar-se Deuses vãos,
Alguns a vários montes sotopostos.
E, como contra o Céu não valem mãos,
Eu, que chorando andava meus desgostos,
Comecei a sentir do fado imigo,
Por meus atrevimentos, o castigo:

Converte-se-me a carne em terra dura;
Em penedos os ossos se fizeram;
Estes membros que vês e esta figura
Por estas longas águas se estenderam;
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto Cabo converteram
Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Tétis cercando destas águas.

Assi contava; e, cum medonho choro,
Súbito d’ante os olhos se apartou.
Desfez-se a nuvem negra e cum sonoro
Bramido muito longe o mar soou.
Eu, levantando as mãos ao santo coro
Dos Anjos, que tão longe nos guiou,
A Deus pedi que removesse os duros
Casos que Adamastor contou futuros.

CAMÕES, “Os Lusíadas”, canto V

(extrato das estrofes 37 a 60 – resumo do episódio do Gigante Adamastor)


E houve, ainda, arremedos de manifestações políticas.







Wednesday, 8 June 2011

Outro testamento


Quando eu morrer deitem-me nu à cova
Como uma libra ou uma raiz,
Dêem a minha roupa a uma mulher nova
Para o amante que a não quis.

Façam coisas bonitas por minha alma:
Espalhem moedas, rosas, figos.
Dando-me terra dura e calma,
Cortem as unhas aos meus amigos.

Quando eu morrer mandem embora os lírios:
Vou nu, não quero que me vejam
Assim puro e conciso entre círios vergados.
As rosas sim; estão acostumadas
A bem cair no que desejam:
Sejam as rosas toleradas.
Mas não me levem os cravos ásperos e quentes
Que minha Mulher me trouxe:
Ficam para o seu cabelo de viúva,
Ali, em vez da minha mão;
Ali, naquela cara doce...
Ficam para irritar a turba
E eu existir, para analfabetos, nessa correcta irritação.

Quando eu morrer e for chegando ao cemitério,
Acima da rampa,
Mandem um coveiro sério
Verificar, campa por campa
(Mas é batendo devagarinho
Só três pancadas em cada tampa,
E um só coveiro seguro chega),
Se os mortos têm licor de ausência
(Como nas pipas de uma adega
Se bate o tampo, a ver o vinho):
Se os mortos têm licor de ausência
Para bebermos de cova a cova,
Naturalmente, como quem prova
Da lavra da própria paciência.

Quando eu morrer. . .
Eu morro lá!
Faço-me morto aqui, nu nas minhas palavras,
Pois quando me comovo até o osso é sonoro.

Minha casa de sons com o morador na lua,
Esqueleto que deixo em linhas trabalhado:
Minha morte civil será uma cena de rua;
Palavras, terras onde moro,
Nunca vos deixarei.

Mas quando eu morrer, só por geometria,
Largando a vertical, ferida do ar,
Façam, à portuguesa, uma alegria para todos;
Distraiam as mulheres, que poderiam chorar;
Dêem vinho, beijos, flores, figos a rodos,
E levem-me - só horizonte - para o mar.

VITORINO NEMÉSIO
1901 - 1978

Tuesday, 7 June 2011

E eis que é segunda-feira, ou o "the day after".


Isto é, a segunda-feira foi ontem mas, "the day after", vai continuar.

E parece que não começa da melhor forma, apesar das boas intenções.

Então não é que eu ouvi tanta guerra a ser feita ao peso do Estado, à gordura da administração pública e à pulverização das funções do Estado por entidades difíceis de encontrar e saber o que fazem e, ainda sem terem as cadeiras à mão do rabinho, já anunciam a criação de uma alta "autoridade orçamental independente" (Conselho de Finanças Públicas)?

Com assentos distribuídos ao Tribunal de Contas, ao Banco de Portugal e entidades independentes, incluindo estrangeiras??!!

Eh láááá!!!

Alguém que vá em "Passos" de corrida acelerada acender o farol, a ver se não perdem o rumo antes de estarem ao leme da nau.
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Farol de Cacilhas, Almada

Friday, 3 June 2011

Período de reflexão. Volto segunda-feira


Hoje é dia de pegar na prancha e preparar uma boa surfadela até domingo. Mergulhar no que queremos para o país, também o que não queremos, enfrentar os medos, das ondas e dos ventos, assentar bem os pés e deixarmo-nos embalar até ao gozo final. Venha definitivamente uma maioria absoluta, qualquer que seja (o povo é que a ordenará) para se acabarem as desculpas. Não voltará a haver mais portas para a esperança da vida.
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Thursday, 2 June 2011

E o Verão, vem ou não? Perscrutando-o da Costa da Caparica


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Olhando da Praia da Mata, na Costa da Caparica, para o Cabo Espichel.

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Olhando da Praia da Mata para a Serra de Sintra. As praias da Costa da Caparica, em primeiro plano, Estoril/Cascais, ao fundo.

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Olhando da Praia da Mata (Costa da Caparica) para a Serra de Sintra, com a silhueta do Palácio Nacional de Pena - Sintra.

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Surfing. Praia da Mata - Costa da Caparica. Ondas q.b., muito vento, sol e calor.

Wednesday, 1 June 2011

Função pública


Passos Coelho defendeu ontem a indexação dos salários da função pública à produtividade.”, lê-se no jornal Público (01.06.2011)

Lembro-me de, desde a segunda metade da década de 80, se ter iniciado - e sempre em crescendo - a introdução das ideias de “exploração” da actividade que é exercida pela Administração Pública (AP) como se de uma actividade privada se tratasse, como se fosse industrial ou, pior ainda, cada Direcção-Geral fosse uma empresa de comércio.

Começou, entre outras coisas (como a de que a AP tinha que seguir as regras de concorrência, por exemplo), com o seu símbolo máximo: o cidadão - ou outro utilizador dos serviços públicos - deveria ser tratado como “CLIENTE”.

Ora, cliente é sinónimo de (dizem os dicionários) “pessoa que requer serviços mediante pagamento, que compra algo; comprador; freguês”.

Ao ponto onde o avanço de tal ideia nos trouxe, parece-me, ninguém tem dúvidas. Mas há sempre alguns que querem mais e não hesitam em atirar tudo ao precipício, no afã de, dos cacos, apanharem uma jóia reluzente.

Sabemos, não vale a pena metermos a cabeça na areia, que a AP sofreu uma desmesurada inflação nos recursos humanos, no período a seguir à revolução de Abril, como forma de secar potenciais conflitos sociais, tal o nível a que chegou a destruição do tecido económico e, com ele, a possível horda de desempregados, não fosse a abertura de todas as portas, mesmo as que não existiam, a quem quer que se apresentasse à função pública.

Depois, temos assistido à desenfreada distribuição de lugares públicos, dos mais humildes aos mais elevados, como forma de comprar votos e garanti-los no futuro, quiçá até, dominar pontos chave do poder administrativo do Estado, ou “dividindo” o Estado em tantas partes quantas as que conseguem a imaginação e as necessidades partidárias, quer dentro da Adinistração Central, quer fora dela, criando e fazendo nascer, com mais facilidade que cogumelos, instituições e empresas públicas que prosseguem funções em cumulação com as funções públicas tradicionais para as quais existem Direcções-Gerais ou equivalentes, ou mesmo em contradição com elas, ou fingem que têm algo útil a prosseguir a par delas, e chegámos, sem dúvida, a um corpo da AP insustentável.

Nunca se viu, ou só se viu de forma tíbia, um partido político “meter o dedo na ferida” e tomar as medidas que, em minha opinião, são realmente necessárias.

Tem sido este o caminho escolhido pelos principais partidos políticos que, nos últimos tempos, ou não têm quadros capazes de analisarem as reais causas do estado a que o Estado-Administração chegou ou/e de tomarem as consequentes e necessárias medidas que ele necessita.

A manutenção do princípio de que o Estado-Administração tem de prosseguir a sua actividade pública como se privada fosse vai-nos atirar, definitivamente, lá para o fundo, onde nem cacos sobrarão.

Não há outra forma de ver o exercício da função pública (entenda-se, as funções públicas) que não seja como o exercício de uma missão, onde o objectivo primordial é servir, com desprendimento (abnegação, generosidade e independência), os que são a sua razão de existir, quer como fim, quer como meio de financiamento da mesma. De forma racional, q.b., mas não mais que isso. Sem querer dizer que quem se dedica a essa missão tenha que ser “franciscano”.

A este propósito, sem que esteja totalmente de acordo com o que a sua ironia pretende transmitir, vem bem a calhar lembrar este texto de José Saramago:

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

In Cadernos de Lanzarote - Diário III

Sunday, 22 May 2011

Cascais Trophy. Circuito Audi MedCup. Regata de 22.05.2011

Como eu vi a Regata Barlavento-Sotavento do Circuito Audi MedCup, em Cascais.
Desde cerca das onze até às cinco, andei, por vezes corri, outras fiquei sentado a molhar o calor que arrasava qualquer garganta. Ah, sim, e também a pele. Fiquei com bronze "à taxista"! Tudo para ir apanhando umas vistas da regata.
Foi um dia em cheio. Não menos que dez quilómetros calcorreados, como auto-prova de que a minha recuperação pós-operatória vai andando. Devagarinho.
Fiquem com os meus olhares.
Inté

Sunday, 15 May 2011

Dando passos por Benfica - Catedrais lado a lado

De um lado, a (principal) catedral de consumo lisboeta.
Para além de ponto de consumo de tempo para uma mole humana heterogénea, também serve para fazer as mais diversas compras.
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Do outro lado, a Catedral do Futebol, em Portugal.
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Saturday, 14 May 2011

Uhmmm, ai que rabinho tão espinhoso!

Percebeu o título?
A tábua e a tartaruga, o sol e a sombra.
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LA TORTUGA

que
anduvo
tanto tiempo
y tanto vio
con
sus
antiguos
ojos,
la tortuga
que comió
aceitunas
del más profundo
mar,
la tortuga que nadó
siete siglos
y conoció
siete
mil
primaveras,
la tortuga
blindada
contra
el calor
y el frío,
contra
los rayos y las olas,
la tortuga
amarilla
y plateada,
con severos
lunares
ambarinos
y pies de rapiña,
la tortuga
se quedó
aquí
durmiendo,
y no lo sabe.

De tan vieja
se fue
poniendo dura,
dejó
de amar las olas
y fue rígida
como una plancha de planchar.

Cerró
los ojos que
tanto
mar, cielo, tiempo y tierra
desafiaron,
y se durmió
entre las otras
piedras.

Pablo Neruda

Sunday, 1 May 2011

Deitar contas à vida


Se a minha memória não me atraiçoa, há algumas décadas que não se via um 25 de Abril e um 1º de Maio como os deste ano.

E algo me diz que este ano foi só, para ambos, o início do trajecto até ficarem enterrados a 2 metros de profundidade, num qualquer cemitério das revoluções iniciadas nos anos 60 do século passado e que, neste cantinho à beira-mar plantado, culminaram com a efectuada a 25 de Abril de 1974.

As comemorações do 25 de Abril, é o que se tem visto desde há meia dúzia de anos. Ano a ano, mais se arrastam para terem uma cerimónia de cariz nacional. Longe vai o sonho de alguns em o sustituirem ao 10 de Junho.

O 1º de Maio, nem se arrastou. Foi um ar que lhe deu de uma só vez.

Hoje, num momento em que o país se diz em austeridade, as grandes e médias superfícies comerciais apresentavam-se como qualquer outro domingo, quiçá com mais movimento de pessoas atarefadas em gastar os euros das austeridades pessoais em produtos provenientes da Europa que se pergunta se nos deve apoiar com mais euros para lhes comprarmos mais produtos ou, pior ainda, “made in China”, desenvolvidos pelo capital e know how de algumas grandes empresas europeias (mas não só) que para isso tiveram que se decidir por desempregar europeus a troco de “algumas tigelas de arroz” no outro lado do globo.

Lojas cheias, muitas promoções a apelar às oportunidades de uma compra pelo Dia da Mãe, pelo dia disto, ou apenas por aquilo, porque todos os motivos são bons para vender, “trabalhadores” a fazer aquilo para que são pagos sem um pequeno remorso na alma ou um único neurónio a lembrar o longínquo dia 1 de Maio de 1886 de Chicago.

Este país necessita, definitivamente, de deitar contas à vida.

Saturday, 30 April 2011

Outras ingenuidades mais sérias, ou talvez não

"Constituição da República Portuguesa
Artigo 162.º
Competência de fiscalização
Compete à Assembleia da República, no exercício de funções de fiscalização:
a) Vigiar pelo cumprimento da Constituição e das leis e apreciar os actos do Governo e da Administração ;
b) ... ;
c) ... ;
d) Tomar as contas do Estado e das demais entidades públicas que a lei determinar, as quais serão apresentadas até 31 de Dezembro do ano subsequente, com o parecer do Tribunal de Contas e os demais elementos necessários à sua apreciação;
e) Apreciar os relatórios de execução dos planos nacionais.
"


Alguém me sabe explicar porque é que os Partidos Políticos com assento na Assembleia da República desde há décadas, os Deputados com cadeiras de couro já gasto pelas milhares de vezes que lá botaram os seus assentos para garantirem reformas douradas por antecipação e demais mordomias, e as figuras que a ela e eles estiveram ligados, aguardaram pela chegada dos ditos Senhores da Tróika, por definição senhores que vieram de fora, para fazer o "banzé" que andam a fazer, quer nos meios de comunicação, quer com cartas e recados, especialmente os dirigidos aos "tais de fora", sobre o estado das contas do Estado, como se tal realidade fosse uma coisa que aconteceu em uma ou duas semanas anteriores ao banzé??????

Olho para o espectáculo e fazem-me lembrar prostitutas com carteiras profissionais passadas há anos e já gastas por tanto uso, a gritarem a todos os ventos que são virgens puras e só agora estão a sentir, por simpatia para com aqueles que realmente se sentem "sem protecção rectal", a violação criminosa que é um Estado incumprir (com a maioria da parte que forma a contraparte) o contrato social que há muito firmou com os cidadãos.

Haja vergonha!!

Friday, 29 April 2011

Ingenuidades


Podes viajar para o outro lado do mundo, podes esconder-te no canto mais escuro de uma profunda caverna, ou colocares-te disfarçada atrás de uma máscara assustadora.

A mim, basta-me um pensamento para logo te ver e sentir.
AGRIDOCE, in Umtuganatuga
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Sunday, 17 April 2011

Aqueduto das Águas Livres, Lisboa.

Olhares a partir de Monsanto sobre as Amoreiras.


Olhares verdes por Monsanto, em Lisboa ...

... mas com cor.

"From my rotting body, flowers shall grow and I am in them and that is eternity."
Thomas Moore (1779 – 1852)

Tuesday, 12 April 2011

Por tierras de España - Sevilla, Jerez y Sanlúcar - Flashes


São só meia dúzia de olhares, meia dúzia de flashes onde os de Sevilha são preponderantes, alguns de Jerez de la Frontera e há só um de Sanlúcar de Barrameda.

Sanlúcar de Barrameda
Até era o destino principal, nem tanto pela cidade em si, mas como plataforma de entrada e saída do Parque Nacional de Doñana.
Um desencontro de horas entre o meu relógio e as do barco (que acabara de sair, perdido por um ou dois minutos), talvez o momento do calendário (em que a afluência de visitantes ainda não justifica a introdução de mais saídas de barcos) e a má preparação da visita em si mesmo (confiei que nunca iria ter esse problema e, por isso, não olhei em pormenor como as coisas funcionam) levaram-me a entrar e sair de Sanlúcar tão rápido que nem deu para grandes olhares. Já quase fora dos seus limites, ainda parei para captar uma rolante e preciosa peça de museu, um Ford A, à porta de um estabelecimento de "sucatas".

Jerez de la Frontera
Achei-a um pouco escura a mais, meio necessitada de obras de reabilitação da parte velha, afinal, a que mais interessa visitar. Ainda por cima, apanhei quase tudo fechado (era domingo cedo). Foram alguns olhares a mais que Sanlúcar, mas não muitos. Ficou-me a ideia que será uma cidade a incluir novamente no roteiro, porque me pareceu ter muitas potencialidades turísticas.

Sevilla
Quedei-me um pouco mais por Sevilha. Duas, três, quatro voltas ao antigo perímetro onde passei umas quantas horas em filas sem fim, aquando da Exposição Universal de Sevilha, de 1992. Já me tinham contado que o espaço luta por voltar a viver mas... a luta continua, e não parece ter fim num curto horizonte. É uma pena. Mas é uma cidade que merece sempre mais uma visita. Os meus olhares de hoje começam por Sevilha.

Até à próxima.

Monday, 4 April 2011

Por tierras de España - Cadiz


Cadiz ficou-me gravada na memória, já lá vão uns vinte e tal anos, e não foi pelas melhores razões. Fui fazer as pazes com a cidade.

Já se viam os festejos da Páscoa que se avizinha, com ensaios em cada canto e espaços a serem preparados para as procissões; a noite, como as noites em toda a Espanha, tem uma vida prenhe, com as ruas e vielas cheias de juventude dos oito aos oitenta; vi jovens trajados de uma forma estranha, que não consegui determinar, com toda a certeza, se eram trajes ocasionais ou eram permanentes, ligados a um status específico. Até porque algumas pessoas de idade mais ou menos avançada também estavam sintonisadas na mesma onda. Apreciei as entradas dos edifícios da parte antiga, com mosaicos estilo árabe.

Aqui ficam alguns olhares de Cadiz

Friday, 1 April 2011

Ergue-te de novo, oh Portugal milenar!


Esta República (leia-se, regime iniciado em Abril de 1974) já deu o que tinha a dar.

A culpa foi dos capitães de Abril que se lançaram numa aventura a que chamaram revolução, sem prepararem "A Revolução", não medindo as consequências aos diversos níveis que necessariamente deveria ter sido fácil perceber iria verificar-se. Deixaram-nos de positivo a Democracia, mas a que preço, Deus meu!

A culpa foi dos presidentes da república, de todos os que tivemos até ao actual, que exerceram a primeira magistratura a olhar para a segunda, e nesta a tentarem ser primeiros ministros.

A culpa foi dos primeiros ministros e dos ministros e restantes equipas dos seus governos, de todos os que tivemos até aos actuais, porque parece terem aceite a tarefa, que devia ser a de governar a coisa pública, para fazerem política baixa e de clientelas garantidas, em vez das necessárias, por mais duras que fossem, propiciando a que comunidade portuguesa levantasse de um voo rasteiro que o anterior regime lhes ensinara a voar; não a olhar para megalomanias irreais para um país como nosso, ainda por cima donde ficaram fumos (com poucas excepções) de, a coberto de medidas ditas a bem de toda a comunidade, só a alguns parece terem engordado.

A culpa foi dos parlamentares de todas as legislaturas, de todos os que tivemos até aos actuais, enquanto detentores do poder constitucional que lhes garantia poderem tomar as melhores medidas legislativas orientadoras para toda a comunidade, debatendo as situações com verdade e honestidade, sem recurso, sempre em crescendo, a chicana no discurso e nos objectivos.

A culpa tem sido dos partidos políticos que têm aparecido no nosso mosaico parlamentar porque, com o tempo, se tornaram todos iguais nos objectivos por que lutam (não disse ideais, porque nenhum parece já saber o que isso é), na forma de fazer politica, no discurso repetitivo e gasto de más provas dadas, mas sempre teimosos a dar mais do mesmo, violando leis de que foram a fábrica, o armazem e o estabelecimento comercial de venda ao consumo.

A culpa tem sido das taínhas que vivem nos e dos partidos políticos e, muito especialmente, de quem os deixa navegar à babugem.

A culpa tem sido das empresas corruptoras e dos corrompidos, que engordam ilícita e egoisticamente, quando as tarefas são, ou deveriam ser, de âmbito e interesse nacional. Dos que engoliram e ajudaram a engolir os milhões de euros que aportaram à costa nacional, sem deixar rasto de desenvolvimento de costumes, de educação, de investigação científica e de economia.

A culpa tem sido de quem intervém nos órgãos de comunicação social, porque saídos dos mesmo forno que está a acabar, pensaram que informar é dar palpites sem estudar, é lançar suspeitas sobre cidadãos sem investigar, é ficarem cegos pelos focos das cameras.

A culpa tem sido dos magistrados, dos judiciais e dos públicos, que também se deixaram enredar no turbilhão do tudo vale para ter um segundo de atenção na TV, na rádio e na imprensa.

A culpa tem sido de todos nós, novamente eles incluídos, porque temos preferido dar passos a descer, que são mais fáceis, mesmo que o fim da descida esteja ali mesmo à vista e a seguir se veja o precipício sem escapatória possível, a uma caminhada serra acima, mais longa, mais difícil, mas com futuro melhor e garantido; do melhor agora, mesmo que se esgote num segundo, do que trabalhar para um depois mais longo, conduta que foi assente na adquirida sensação de que se assim não for, "eles comem tudo e não deixam nada".

É tempo de mudança, é tempo de mudar de rumo, e muito rapidamente. Os 800 anos que temos da mais velha nação europeia estável nas fronteiras e na cultura, não serão garantia de que continuaremos a sê-lo nos próximos 800 minutos. O potente e pesado cilindro da globalização e do poder que o colocou nesta nova marcha, de há meia dúzia de anos, não nos vai perdoar e ficaremos todos esmagados.

É tempo de se pensar em eleger uma Assembleia Constituinte ex-novo, à parte da AR que deverá continuar em funções, pescada de gente que saiba e consiga pensar Portugal para lá de lutas partidárias, com o objectivo de pensar Portugal a longo prazo e um novo rumo a curto-médio prazo, para fundar uma nova democracia, assente em linhas claras, órgãos eficientes, administração pública magra mas funcionalmente definida, com as actividades privadas sem pecados públicos e vice-versa, com pessoas e cargos responsáveis, responsabilizáveis e responsabilizados, com educação massificada mas não embrutalhada, com saúde pública tendencialmente gratuita, porque a saúde é rigorosamente de interesse público, com magistrados que exerçam a justiça em vez de se lançarem em lutas de operariado e passadas partidárias, com autoridades policiais que o sejam e possam ser, sem abusar, uma nova democracia em que todos e cada um dos que nela estejam tenham imbuídos os sentimentos de partilha, trabalho, liberdade, responsabilidade sempre presentes, na certeza de que o que é bom para a comunidade portuguesa, vai e terá que ser bom para cada um dos que a ela pertence. Uma nova democracia da qual renasçam partidos políticos constituídos por gente que saiba por que eles existem e porque é que eles podem deixar de existir.