Monday, 28 February 2011

Viagem ao outro lado


"Vamos embora filho.
É quase quarta-feira, e aproveito a apresentar-te a um CLUBE GRANDE , que fica aqui mesmo do outro lado da estrada."

Saturday, 5 February 2011

De Alfama ao Rossio, à beira-rio. Vistas.

Esteve um dia de primavera estival, em pleno inverno, este sábado. Até os casais de pardais esvoaçavam o fulgor da paixão primaveril. Resolvi ir ver alguns cantos e pormenores de Alfama ao Rossio e Praça da Figueira, sem me afastar muito do Rio Tejo. Surpreendeu-me - a mim que por ali passo há décadas, sempre a tentar ver o seu interior - ver a Igreja de São Miguel de porta aberta, melhor dizendo, entreaberta. Espreitei e espantei. Porque será que parecem esconder toda a beleza que encerra? Do altar de talha dourada - dos mais bonitos que vi, ao tecto e à própria arquitectura interior, é digna de uma visita. Pena foi a falta de iluminação, que prejudicou uma melhor recolha de imagens para vos aguçar o apetite. Tentem, mas desde já vos aviso que não é fácil encontrar a porta aberta. De resto, foi ir tirando uma foto aqui, outra ali, a este ou aquele canto ou pormenor que penso deve ser visto por quem não pode cá vir ou estar. Parei no Rossio, onde se ergue o pedestal a D. Pedro IV de Portugal, Primeiro Imperador do Brasil, virei para a Praça da Figueira e apanhei D. João I, Mestre de Avis, a galope no seu cavalo. Até à próxima.

Thursday, 13 January 2011

Quem diria?

Acordei e fui à janela, como o faço habitualmente. Gosto de ver a noite de costas, adivinhar o dia que a meteorologia me reservou durante o sono. Estava um dia frio, de sol que se pressentia acima do nevoeiro carregado a escurecer o céu e o horizonte. E assim permaneceu até este momento, em que regressei à mesma janela, ao fim do dia. Senti uma imprevisível nostalgia pelos dias de Bruxelas. Quem diria?! Ao menos, por lá, não há enganos: é terra de dia sem sol desde que nos levantamos, por muito tarde da manhã que aconteça, até ao deitar, confundindo-se a sua natureza com a da noite de 24 horas. Chove, neva, há nevoeiros cerrados, mas nem é necessário ir à janela confirmar que assim será. Não há traições depressivas. E passei horas a fio de hoje a passear de Cortenbergh à Grand-Place, passando pelo Terreiro do Paço a olhar pelos edifícios da burocracia comunitária, o Berlaymont, o Charlemagne, o Justus Lipsius, Rua de La Loi fora, saboreei um chocolate quente, acabado de escorrer chávena dentro, goela abaixo, já de volta pelo Grand Sablon, e saí do torpor hipnótico já cansado, descendo o Chiado, hora de almoço chegada com olhos fundidos com o jantar. Hoje voltaria a Bruxelas, que não teria mais frio e nem estaria mais deprimido do que em Lisboa. Quem diria?

Thursday, 23 December 2010

Tudo é relativo, menos a felicidade

Tinha feito os meus sete anos, estávamos em Dezembro, e o Natal estava à porta. Pela primeira vez visitava, de forma consciente (eu tinha sido levado para Angola, aos dezasseis meses de idade), a aldeia onde nascera. Foi por um período de férias familiares que se prolongaram por um pouco menos que um ano. Desse período, guardo na memória alguns momentos da breve passagem pela escola da aldeia; das brincadeiras com familiares que não conhecia; de amigos que foram feitos e que foram rapidamente perdidos no tempo e na distância - se bem que não esquecidos; do quotidiano da vida difícil da maioria dos residentes, agarrados quase exclusivamente à agricultura, que eu adorava presenciar; de alguns passeios de carro pelas redondezas. Mas há um momento que, nesta quadra que atravessamos, me assalta e que vejo e revejo, com cada vez maior assiduidade, nas gravações do filme da minha vida. Habituado ao melhoramento, ano a ano, das prendas que o "Menino Jesus" me deixava no sapatinho, nas passagens do dia 24 para o dia 25, naquela Angola distante, encontrava-me em grande ansiedade para saber como se ia comportar o "Menino Jesus" desta terra. Como todas as crianças, quase não dormia, sempre correndo para um e outro lado, na ânsia de chegar rápido ao Natal. E ele chegou. Noite passada com um olho a dormir e outro acordado, de ouvido atento a todos os sons que podiam chegar da lareira, onde presumivelmente o Pai Natal, a mando do Menino Jesus, iria entrar chaminé abaixo, saco carregado, para deixar o que tinha pedido, eis que a manhã se me apresentou. Como sempre, eu e os meus irmãos fomos bater à porta do quarto dos meus pais a pedir autorização para vermos o que nos tinha calhado. Autorização dada, lá fomos remexer os papéis dos embrulhos, poucos, logo constatámos face à alta expectativa que tínhamos. Com ar de algum desalento, lá fomos, como habitualmente, mostrar aos nossos pais, o que nos tinha tocado. Tentaram adoçar-nos a desilusão.
Porque não estávamos em Angola, diziam. Porque na terra onde estamos, não há Pais Natal tão ricos. Que os outros meninos também não teriam tido coisa muito melhor. Mais isto e mais aquilo, até nos conseguirem abafar o choro mudo que nos saía das almas. Saímos, ainda os primeiros raios do sol mal se tinham dado a conhecer, e que frios que estavam! Como tínhamos combinado com os nossos primos e alguns amigos, encontrámo-nos frente à nossa casa, exibindo os brinquedos, começando a brincar com eles, trocando-os desta para aquela mão. Carros para aqui, bonecas para acolá, biciletas de madeira pintadas, com bonecos que se movimentavam ao sabor do movimento das rodas, etc. Até que perguntámos: e onde é que pára o Hermes? Porque é que ainda não veio? Deixei o grupo e dirigi-me ao portão da nossa casa, que também dava acesso, por um caminho de uns cem metros, às traseiras da sua, pronto a chamá-lo, para vir partilhar connosco aquele momento. Vi-o, de imediato, com uma corrida muito típica dele a dirigir-se ao grupo, ao mesmo tempo que gritava de uma alegria que nunca mais voltei a ver: - O que é que vos saiu? A mim saiu-me uma filhó e cinco tostões!
TENHAM UM BOM E SANTO NATAL, CHEIOS DE FELICIDADE.

Saturday, 23 October 2010

Olhares por Óbidos

Recanto que sempre apela a um salto quando o sol brilha. É já ali! Onde o licor de ginja é história. Onde ele vai com ou sem elas. Onde se repete, sempre com o limite do sopro no balão, não vá a nossa viatura passar-nos uma multa por ser mal conduzida. Onde de há uns anos se mistura o doce néctar alcoolizado da ginja com o travo do chocolate amargo e tudo se come e se bebe. De vielas e ameias onde se sentem passos descalços de antanho, se escutam os trotes dos cavalos levando cavaleiros que farão chispar faíscas das suas espadas contra os intrusos, ou se respiram fumos de caldeirões à lareira, sempre prontos a oferecer uma sopa ao visitante, quando a palavra automóvel ainda não era sonhada, sequer. E onde as pedras que se calcam continuam a falar na língua que o país foi moldando dos cruzados, árabes e outros extra-terrestres que se vieram juntar aos que já há muito se tinham juntado ao pó. Onde nos podemos sentar ao balcão, ou à esplanada, tão-só, e escutar o burburejar de turistas carregando "souvenirs" que falam diversas línguas do mundo, enquanto empurramos uma bebida que escorre em português. Local que já vi mais bem tratado, ou terá sido do outono dos meus olhos de finais de Outubro, com buganvílias esquivas e se esvaindo para o inverno, que prenunciam humidade e frio a mais que aumentarão o número de paredes com tinta a cair, escuras, tão longe do caiado e pintado que tinha visto na última vez que ali andei. Onde reparei em casas com muitas épocas de história e de quantos seres humanos a calcorrearem as escadas e a dormirem naquelas células a que chamavam quartos e onde viram os seus filhos crescerem e tomarem-nas para si e seus filhos, mas já com telhados e parte das suas paredes a ruir, quem sabe a não quererem fugir à música económica em moda no país actual. Mas continua bela, esta Vila de Óbidos, mesmo que pudesse manter-se sempre mais bela.

Sunday, 17 October 2010

Ao vento

Sol de Verão, em tarde de Outono, por Lisboa, no Espelho de Água.
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Meditando

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Na ponta do mastro, onde a bandeira desta Nação tremula ao vento (quem sabe se o tremelique é pela cor negra em que a meteram), uma gaivota está atenta ao meio brilho que chegará à zona do Monumento aos Descobrimentos, em Lisboa.

Wednesday, 13 October 2010

Wednesday, 6 October 2010

100 anos de República

Banana colhida daqui.
"A FESTA É DO POVO, PORQUE A REPÚBLICA É DE TODOS !" (Parte final do discurso do P. R. Cavaco Silva, nas Comemorações do Centenário da Implantação da República) Pois, pois, a República Portuguesa é de todos, mas a das Bananas... é só para alguns. Ou, dito de outra forma, cada vez o Povo se parece mais com "um banana", enquanto outros as comem à fartazana. Esperemos que o P. R., este ou outro que lhe suceda, consiga re-implantar os valores republicanos.

Saturday, 2 October 2010

Para o surf, no Guincho

Parasurfing (ou Kitesurfing) entre as montanhas e o Atlântico, no Guincho. O vento... assobiava. As areias castigavam este visitante. Alguns olhares que me ficaram.

Wednesday, 29 September 2010

Olhares pelo Cabo da Roca ...

... Ali, a ponta mais ocidental do continente europeu, onde a Europa acaba e o Mundo começa. E se mais Mar houvera ... Vento a enganar o domingo de Verão, já dentro do Outono, muitos jovens asiáticos de máquinas fotográficas na mão, fotografando-se, auto-fotografando-se e solicitando a este ou aquele (eu fui um dos estes e daqueles, em mais que uma vez) para tirar a foto do grupo ou do casal, hétero e não só, e com muitos autocarros de gente a sibilar línguas do leste europeu, todos, com olhos de espanto e sorriso aberto com palavras de alegria - as suas faces e olhares não enganavam - por ali estarem, ali terem ido. Ah! Também havia portugueses. Nem por isso com atitudes diferentes. Não foi a minha primeira visita, mas já há muito tempo que lá não ia. Já quase me esquecia de quão majestoso é o Atlântico lá em baixo, alguns cem metros na vertical daquelas escarpas esculpidas pelo tempo, pelos ventos, pelas ondas e pelas engenharias das amplitudes térmicas nas rochas. Paleta de cores múltipla, com caminhos proibidos cheios de voluntários na infracção das regras de segurança, até onde não me aventurei ir com os meus pés, mas a objectiva me levou a fazer-lhes companhia. Até à próxima viagem.

Monday, 27 September 2010

Regresso ao Oeste. Poemas "popularuchos"

Sábado, num dia já de Outono que anuncia o Inverno que se fará sentir, espera-se que fraquinho, desci de Sintra para Colares (onde parei nas Caves do Visconde de Salreu e "pesquei" umas garrafas que vieram à tona), depois Praia Grande e, ziguezagueando por aquela estreita faixa negra que serpenteia montes afora, até às Azenhas do Mar, passando por S. João das Lampas e Fontanelas. Cada povoado, por ali, é prenhe de azulejaria exposta a quem passa, quer representando cenas de um passado mais ou menos recente da vida daquelas comunidades ou de paisagens marcantes. Mas, mais que tudo, por ali, há muitos azulejos a publicar quadras popularuchas, algumas bastante interessantes. Venham ver um bocadito do que vi.

Portugal no seu melhor

Algures por Paços d'Arcos - Lisboa Caro cidadão: - Se vem de automóvel, vire obrigatoriamente à esquerda; - Se vem de helicóptero, junto ao sinal de trânsito, puxe o manche, suba na vertical acima do último piso do edifício com janelas espelhadas, e siga em frente. Obrigado :-))
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Tuesday, 21 September 2010

Regresso ao Oeste

Encontrei, pelo Oeste, o mesmo escaldante sol que me fez fugir do forno lisboeta. Lá estava ele a carregar de energia as vinhas que, naquelas encostas, já o tinham armazenado durante este abundante verão, para o Deus Baco. De facto, numa volta pelas faldas das vinhas dava para reparar que, não havia muito tempo, os tratores tinham rodado por ali, carregando os cestos (que agora são caixas de aço) atestados com cachos cheios de potencial néctar que já deve estar a engrossar as pipas e, porque as curvas teriam sido rápidas, lá jaziam alguns, perdidos, pela fértil terra. Dobrei-me e arranquei algumas uvas. Provei-as. Uhmmm, isto vai dar bom vinho, com certeza! Mas a minha volta de domingo estava destinada a uma visita, em especial:
O Jardim da Paz, o Buddha Eden Garden, situado na Quinta do Lorido, no Bombarral. Espaço que oferece aos visitantes - e eram muitos - bons momentos de descanso, mesmo que se note que ainda tem muito por onde crescer e muito mais para oferecer. Apanhei o comboio sobre rodas e dei uma volta. Depois, já apeado, voltei a passear-me, a tirar fotos, a apreciar as estátuas chinesas em terracota, as cinzeladas no mármore, subindo e descendo os pequenos montes. Chegada a hora de encostar-me ao prato, aceitei a proposta apresentada à entrada do Jardim e rumei ao Sobral do Parelhão, ali bem ao lado, e entrei no Mãe d'Água, cheio que nem um ovo. Uma hora depois, não me arrependi de ali ter ancorado o meu apetite. Aqui ficam algumas fotos.

Friday, 27 August 2010

WE'LL GO NO MORE A-ROVING

Em Sintra DSC04779
SO, we'll go no more a-roving So late into the night, Though the heart be still as loving, And the moon be still as bright. For the sword outwears its sheath, And the soul wears out the breast, And the heart must pause to breathe, And love itself have a rest. Though the night was made for loving, And the day returns too soon, Yet we'll go no more a-roving By the light of the moon. by: George Gordon (Lord) Byron (1788-1824)

Tuesday, 24 August 2010

Soneto de agosto

Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados Amamos, vagamente surpreendidos Pelo ardor com que estávamos unidos Nós que andávamos sempre separados. Espantei-me, confesso-te, dos brados Com que enchi teus patéticos ouvidos E achei rude o calor dos teus gemidos Eu que sempre os julgara desolados. Só assim arrancara a linha inútil Da tua eterna túnica inconsútil... E para a glória do teu ser mais franco Quisera que te vissem como eu via Depois, à luz da lâmpada macia O púbis negro sobre o corpo branco. Vinicius de Moraes

Friday, 20 August 2010

Sines. Antiga estação férrea ...

... e os seus azulejos, marca portugesa, com certeza, que registam aspectos, gentes e momentos da história daquela localidade. Hoje, a estação já não serve o seu objectivo original. Cumpre, no entanto, uma outra tarefa: é escola de artes.

Tuesday, 17 August 2010

Por Peniche

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Desculpe (?!!): Como é que diz que disse? Papou-a?! Quem a quem? Quando? E onde? P A P Ô A é um maravilhoso promontório em Peniche, cidade com poucas praias e muitas escarpas, onde gosto de parar para apreciar a força do mar, vendo as ondas rebentar violentamente e, paulatinamente, ir formando rendilhados em rochas insuspeitadamente duras. Onde nos sentimos pequenos, microscopicamente pequenos, nesta bola que não passa de um pequeníssimo grão de poeira universal.

Tuesday, 10 August 2010

Lisbon at night

Festival dos Oceanos, a ocupar as noites populares de Lisboa, este Verão. Aqui, captada a noite de fado cantado por luso-galega, no Domingo, na Praça do Município.
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Tuesday, 3 August 2010

Farol do Bugio

Quando o Sol na mais alta pira ardia Nas distâncias igual do ocaso à Aurora, Diógenes, que o raio não ignora, Com uma Luz pelas ruas discorria. Que pretende essa estranha fantasia, Ou que queres Diógenes agora, Que essa Luz te descubra, que em tal hora Não to mostre melhor a Luz do dia? Mas se buscas um homem porventura, Em quem nada condenes, nada acuses, Bem que o vejas à Luz, que tudo apura. Esse deixa farol, da Luz não uses, Que como o homem capaz tem sorte escura, Não se costuma achar nunca com Luzes. André de Figueiredo Mascarenhas
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