Saturday, 31 December 2011

Próspero ano de 2012

Que o 2012 não seja o fim do mundo, mesmo que em 2007, por Bruxelas, já ele andasse sobre quatro rodas a anunciar-se coloridamente.
Não será o apocalypse!
Mas que, pelo menos, vai andar lá perto... tudo indica que sim!
Tenham uma boa passagem de 2011 para 2012, sem se preocuparem com o que este poderá vir a ser, porque o que tiver que ser, terá que ser, e tem muita força.
Excentricidades

Sunday, 25 December 2011

Para a minha colecção de azulejos

Visto algures, pelo país, entre quatro pequenas paredes apertadas por cimento armado que as sufocam, e que aguardam o camartelo de uma conta bancária e um rabisco camarário.
Dei atenção ao hino de amor sem acordo ortográfico de qualquer tempo.

PA310003

Thursday, 22 December 2011

É Natal, vem aí 2012

Nos órgãos do poder, faltam-nos homens com berço e com tomates!

Para mim, a quadra que estamos a atravessar – os dois natais, o de Jesus Cristo e o do novo ano, neste caso o de 2012 – contém uma força cultural que não se fica na tradicional carga religiosa. Ela transporta-me à criança que fui, nos tempos em que receber brinquedos era algo que acontecia uma vez ao ano, quando e para quem acontecia, e tinha-se que trabalhar o ano todo (portando-se bem e estudando q.b. – é certo que era uma chantagem nada efectiva, pois recebia-se sempre algo), desde o seu primeiro dia, para ganhar um brinquedo de madeira, de lata, com ou sem corda, cores coloridas, uma miniatura de carro, ..., mas também faz vibrar a criança que ainda me sinto ser.
Este ano, dei com a cidade menos alegre, menos vibrante.
Estamos com crises: económica, por conta de quem economicamente ficou bem, ou melhor, de vida, mas também, e acima de tudo, crise de valores.

Nos órgãos do poder, faltam-nos homens com berço e com tomates!

A cidade de Lisboa envergonhou-se de ser cristã. Falta-lhe luz e cor. Quase não se vê um motivo tradicional da época e, os poucos que se veem, não são da entidade municipal.

Nos órgãos do poder, faltam-nos homens com berço e com tomates!

(Declaração de interesses:
Sou católico, mas pouquíssimo. Ainda assim, acho que a matriz desta Nação milenar está a ser subvertida, avassalada pela onda da intitulada Constituição de uma União que não o é e se esforça por demonstrar que disso se afasta mais rápido que o Diabo da Cruz.)

AOS MEUS AMIGOS E VISITANTES DESTE CANTINHO, APRESENTO OS MEUS VOTOS DE

Natal de 2011


Tuesday, 20 December 2011

A noite cai em Lisboa (Up-to-date 14.03.2012)

Às vezes, também cai dentro de nós.
Hoje, deu-me para isto, ver a noite a cair em Lisboa, tal como o faço muitas vezes.
Só que, desta vez, levei a memória comigo.

Thursday, 15 December 2011

Madeiras, offshores (??), dinheiros e legalidades

Não vi esta entrevista, dada ao autor do livro "Suite 605", quando passou na TV.
(Ainda) não li o livro, de João Pedro Martins, mas espero encontrá-lo rapidamente, para o comprar e ler. Um tema que contém muitos prós e contras, mas que é mostrado de uma perspectiva que me deixa com muita curiosidade em aprofundar além do que vi na entrevista.
De qualquer forma, acho que vão gostar de a ver.
Aqui fica.

Monday, 12 December 2011

No tempo da minha infância

Recebi a foto e o texto por mensagem electrónica.
Sei que a esperança de vida, actualmente, é maior que a desses "bons tempos" cantados no texto.
Mas há algo de verdade no mesmo. Passou-se de um extremo ao outro, sem seleccionar ou filtrar o que devia e podia ser alterado, e o que deveria manter-se, tanto quanto o possível, como era.
Talvez tudo não passe de utopia, porque o mundo, de facto, é feito de mudança.

NO TEMPO DA MINHA INFÂNCIA,

por
 ISMAEL GAIÃO

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal,
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal.
Hoje tudo é diferente,
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal.

Bebi leite ao natural,
Da minha vaca Quitéria,
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria.
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria.

A barriga da miséria
Tirei, com tranquilidade,
Do pão com manteiga e queijo,
Hoje, só resta a saudade.
A vida ficou sem graça.
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade.

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão.
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração.

Com a modernização
Quase tudo é proibido,
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido.
Fazendo tudo que eu fiz,
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido.

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir.
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir.
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir.

Vi o meu avô dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag,
Sem cinto de segurança,
E eu, no banco de trás,
Solto, igualzinho aos demais,
Fazia a maior festança.

No meu tempo de criança,
Por ter sido reprovado,
Ninguém ia ao psicólogo,
Nem se ficava frustrado.
Quando isso acontecia,
A gente só repetia
Até que fosse aprovado.

Não tinha superdotado,
Nem a tal dislexia,
E a hiperatividade
É coisa que não se via.
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria.

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira,
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira,
E essa água engarrafada,
Que diz-se esterilizada,
Nunca entrou na nossa feira.

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado,
Ter alguns dentes partidos,
Ou um joelho arranhado.
Vovó guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado.

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos.
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos.
E descalço, na areia,
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos.

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras,
Em carros de rolimã,
Sem usar cotoveleiras.
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras.

Entre outras brincadeiras,
Brinquei de Carrinho de Mão,
Estátua, Jogo da Velha,
Bola de Gude e Pião,
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão.

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé,
Gata Pintada, Esta Rua,
Pai Francisco e De Marré.
Também cantei Tororó,
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé.

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar,
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar.
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar.

Tomava banho de mar
Na estação do verão,
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão.
Não voltava bronzeado,
Mas com o corpo queimado,
Parecendo um camarão.

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia.
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia.
Não tinha vídeo cassete,
Muito menos internet,
Como se tem hoje em dia.

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço.
Não existia ração,
Nem brinquedo feito osso.
E, para as pulgas matar,
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço.

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira,
Ou numa água bem fria,
Debaixo duma torneira.
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira.

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular.
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar.
Vovó não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar.

Comecei a trabalhar
Com onze anos de idade,
Pois o meu avô me mostrava
Que, pra ter dignidade,
O trabalho era importante,
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade.

Mas, hoje, a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança.
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança.

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez.
Por isso, tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez ...

Wednesday, 30 November 2011

Requiem ao 1º de Dezembro

Esta Europa nos atirou para o mar, esta Europa nos retirou o mar, esta Europa está a acabar.
Só nos resta nós e o mar, novamente.
Quase meio século de viragem, com quase meio século de atraso, distorceu-nos os caminhos e continua a fazê-lo, deixou-nos virados do avesso.
Embalaram-nos e deixamo-nos embalar por vidas fáceis, trazidas por dinheiro a rodos que agora nos vão custar vidas, mesmo que não se venham a ouvir tiros pelas ruas, e ninguém pode garantir que isso não aconteça. O cheiro da pimenta e da canela e do ouro nos entonteceu e nos levou a algum período de glória, mais ficcionada que real, e os bens que temos andado a comprar com o dinheiro que nos ofereceram, às fábricas que nos ofereceram o dinheiro, levou-nos ao abismo, num momento em que tudo se concerta para nem podermos respirar, esperando que caiamos inanimados pelo sufoco. Ainda por cima, alguns de dentro ajudaram a comer e sugar os de dentro. Espera-se a justiça da Justiça, para estes, ou outra mais radical, se ela não for feita, porque há actos que não podem ficar impunes.
Nesta Europa autofágica não temos, pelo menos por enquanto,  dimensão territorial e nem recursos para competir num mundo global, como nação milenar que somos e queremos continuar a ser.
Por isso, só nos resta sermos nós, como somos e como podemos ser, enquanto não fizermos crescer o potencial que temos e o aplicarmos cirurgicamente no que de melhor quisermos e pudermos fazer. E teremos muito mais do que se pensa, se quisermos pensar nisso a tempo e horas e de forma organizada, num todo, sem exclusões e pisadelas internas, sem pensarmos em continuar a ser bons alunos, nesta escola do mundo onde parece só andarem gandulos.
Esta Europa está a desfazer-se, empurrada pela inércia que desenvolveu à custa de enriquecimento fácil de alguns, por conta do empobrecimento de outros. Parou e não se adaptou às mudanças que imprimiu durante séculos, crente que se manteria rainha "per omnia secula seculorum". Quando já começava a cair, foi sugando o que a rodeava, dando ares de gigante, sempre a encher, até atingir o ponto de já nem aguentar com os seus ossos.
A Europa continuará a existir, mas as mudanças nesta Europa vão acontecer, vão ter que acontecer. Nada poderá ficar como está. Nada vai ficar como está.
Hoje, parece claro que este Euro já não tem pernas para andar - cortaram-lhe as pernas com tanta especulação e já nem se sabe bem quem especulou o quê e a quem – e, se sobreviver, vai ser mais como zombie, graças a mais artifícios que apenas o atirará para um trambolhão maior. Sem o Euro, deixa de fazer sentido estarmos ligados à defesa de interesses de outros, sem termos voz para defender os nossos interesses.
Bom seria que nos preparassemos para o que aí vem.
Bom seria que não nos ajudassemos a ajudar os outros a pulverizar este Jardim que os nossos antepassados compraram com muito sangue, muito suor, muitas lágrimas, com muita sabedoria política e diplomática. É a nossa casa. E, se não forem os da casa a tratar dela, ninguém o fará, mesmo que nos queiram vender a ideia de que vêm para ajudar.
Bom é que nos comecemos a preparar, a sério, para o caminho árduo que temos pela frente. Já não há tempo para brincar no intervalo, porque o intervalo já acabou.

2 - Vai ser preciso repensar a República e os seus valores.
Acabar com a carreira política como modo de vida.
Remunerar devidamente quem nela estiver, enquanto o estiver a merecer, por mandatos únicos, com prazo de duração suficiente para pensar no médio-longo prazo, sem deixar de atacar o curto-prazo.
À gestão incompetente do Estado, terá que haver sanção política, pelo menos. À gestão danosa e intencional no Estado, terá que haver ouro tipo de sanções, obrigatoriamente.
Para a promiscuidade entre os cargos e funções desempenhados na origem, terá que ser desenvolvido um eficaz filtro de destino.

3 - Vai ser preciso recriar instituições constitucionais funcionais que possam atravessar mares de tempestade que nos esperam, prontas a navegar contra todos os ventos, venham eles de que lado vierem.
Não precisamos de um tribunal constitucional para o que quer que seja, instituição com foros políticos, no que tem que ser apenas judicial, porque, se não é judicial, não tem que ser tribunal. Nem precisamos de ter agentes nos órgãos de justiça que fazem mais política e show-off nos meios de comunicação social que justiça.
Não precisamos de um presidente de república que não tenha poderes compatíveis com o de mais alto magistrado da nação. Nem que esse cargo seja ocupado como prémio de fim de uma carreira política, e que se estende por dois mandatos, com o primeiro a pensar ganhar o segundo, e neste a tentar matar saudades como chefe de governo.
Não precisamos de um chefe de governo que subjugue politicamente, através do partido político que lidera, os parlamentares da sua cor política, nem que exerça o cargo com lentes de míope, a olhar para o umbigo e para as eleições seguintes. Precisamos que, quem se apresente para esse cargo, nos apresente um claro Caderno de Intenções de Governação, que será escrutinado dia-a-dia.
Não precisamos de parlamentares que não têm vontade política própria, que por isso e nisso se escudam para não responderem políticamente a quem os elegeu, parlamentares que procedem à aprovação, na generalidade, dos projectos/propostas de leis que promovem em catadupa, e que, depois, correm para outra sala a aprovar na especialidade o que aprovaram e voltarão a aprovar em plenário, vestindo roupagens e almas duplas ou triplas, substituindo-se à natural existência de uma outra câmara com outros actores, a qual obrigaria a repensar o fabrico de leis, cujo poder de iniciativa, em exclusivo, devia estar no governo.
Num país com a nossa dimensão, não precisamos de regiões autónomas, que parecem existir mais para criar forças de desintegração do país, que para desenvolver o seu espaço em harmonia com o todo nacional, nem precisamos de órgãos de poder local que parecem ter existência própria fora do país e da sua legalidade.
Não queremos um Estado omnipresente, criando dependências em rede para tudo o que mexe ou que devia mexer.
O Estado deve permitir que a chamada sociedade civil se desenvolva sem que necessite em permanência que o Estado lhes forneça subsídios e lhes segure os riscos e os prejuízos, apenas descurando dela quando há lucros. Que a deixe sentir que tem que investir intra-muros, porque é cá que os filhos e netos e família e amigos vivem e deveriam sempre ter que viver, pelo que terão que colocar capitais financeiros nos cérebros que temos e nas instituições onde se podem desenvolver com esse capital (universidades, empresas industriais, etc), para podermos criar mais-valias que nos trazem melhores condições de vida a todos e de forma sustentada.
Terminar com a existência dessas máquinas a que se resolveu chamar Centrais Sindicais. Estão desactualizadas, são ineficazes, sorvem recursos escassos, não conseguem alcançar benefícios para a mole que deles realmente necessita, tão-só os alcançam para quem delas – centrais sindicais - não necessita.
Que se promova o associativismo na nação portuguesa. Nas áreas de residência, nas de exploração das respectivas actividades económicas e nas demais áreas sociais, em geral, para que cada um, em cada uma, se sinta incluído na nação, e que nela não entrem os que deviam estar excluídos – os oportunistas e os criminosos – ou, pelo menos, se tenha conhecimento onde eles andam.
Basta que a constituição seja a Carta que a Nação quer para ela, e não um texto cheio de lugares extra-constitucionais, de divisão e de consagração de portas que permitem iniquidades.

4 - Queremos leis que facilitem a vida a todos, por respeito natural a todos, incluindo muito em especial aqueles que foram vítimas de crimes, mas também as que regulam o resto da vida de todos nós. Leis que sejam simples, sem alçapões intencionais para artifícios dos espertos e dos que podem pagar, sem dificuldade, uma justiça que deveria ser paga apenas por quem perdesse as acções judiciais, porque a justiça é um dos bens que tem que ser obrigatoriamente de interesse público, e não somente de interesse económico-financeiro, a ser prosseguida pelo Estado para o Estado.

5 - Vai ser necessário defender o nosso território, não na perspectiva bélica, que neste momento nem com as canetas podemos (mas seria melhor pensar nela), mas do ponto de vista económico, em sentido muito amplo, e para isso apenas necessitamos de recursos humanos que apliquem o que de melhor as suas inteligências podem produzir.
Não entrar em lirismos de poupança na despesa pública, só porque sim ou porque é moda. Como exemplo, misturar a cultura aduaneira com a fiscal, debaixo de um DG com uma dúzia de Sub-DGs, foi do mais bacoco que se podia imaginar. Continuar esse caminho, muito em especial no momento que estamos e que vamos, ou podemos com muita probabilidade, vir a atravessar, raia o pior que a ignorância, ou a má fé, podem ditar.
Somos um país a gerar poucos recursos financeiros. Logo, os que existem têm que ser aproveitados da forma mais inteligentemente racional que for possível. Os esforços para gerar recursos financeiros públicos têm que ser equitativos e gerais, com mecanismos de avaliação do esforço de cada um montados de forma sistemática e automática, reduzindo à margem da insignificância o uso do Xico-espertismo na área fiscal e na área empresarial de montagem de empresas ecrã ou de ficção. Ir buscar recursos onde ainda é possível, de forma justa e socialmente aceites sem, ou com pouca, resistência (e ainda os há), desde que isso seja criado para os reduzir nas áreas onde os que os suportam já estão dobrados pelos calcanhares.
Não fazer pela divisão da comunidade, criando esgotamento das poucas forças, com lutas estéreis de uns, que pretensamente andaram e andam a receber mais do que deviam – mas nada fazendo para que a “empresa” pública, sob sua gestão e responsabilidade, racionalize a sua actividade, contra outros que, mais tarde ou mais cedo, também vão ser contagiados do mesmo mal.

6 – Embora o possa parecer com o que deixo escrito, não sou um nacionalista, ideologicamente falando, nem estou agarrado, de forma irreversível, ao conceito de Pátria, como limite territorial para os povos se auto-organizarem. Mas acredito que, em momentos de tanta incerteza no futuro, onde se podem ler e ver caminhos para onde nos atiram aqueles a quem nos juntamos, há que regressar ao ponto de união inicial, re-reforçá-lo e criar forças para, depois, vermos o que fazer.

7 - Desculpem tanto arrazoado mas, às vezes, dá-me para isto, embora vos tenha poupado bastante até agora.
A quem chegar a leitura a esta linha sem ter saltado linhas, o meu obrigado e os meus parabéns por tanta paciência.
Prometo não voltar com mais textos de cariz político, pelo menos, nos próximos tempos.

Saturday, 26 November 2011

Dia de derby em Lisboa

BENFICA - SPORTING
Pois, é dia grande no futebol lisboeta.
Polémicas criadas, com tudo e por tudo e por nada, a temperatura ferve, como é necessário neste dia grande do futebol nacional.
Que ganhe o melhor!
Se o melhor não conseguir desenvolver um jogo a condizer... que o Sporting consiga empatar o jogo, que também é possível.
Bom, possível, também, é o Sporting ganhar, que a bola é redonda - TÓC-TÓC-TÓC.

P.S.:

RESUMO DO RESULTADO
 BENFICA 1    -    SPORTING 0

Friday, 25 November 2011

Crise Económica, Austeridade, o Bem e o Mal

No meio desta onda de crise, ou pseudo-crise, ou anti-crise, económica, às vezes, parece que entro naqueles filmes de ficção, onde o Bem e o Mal, encarnados por seres irreais - de carne e osso, lutam sem fim, com instrumentos e técnicas tão atraentes aos nossos sentidos, que até nós voamos com eles.
Tudo isto, porque, neste teatro de austeridade, em que, cada vez mais, cresce o número de artistas, e cada vez menos outros se sentem de fora, a Bélgica (também) vai entrar em Greve Geral na próxima sexta feira - 2 de Dezembro - e porque começa-se a ver, por toda a Europa, uma onda de greves e/ou manifestações contra. (ponto).
Parece que temos o Bem de um lado, a sofrer ataques fortes do Mal, do outro lado. Ou será ao contrário, o Mal a sofrer fortes ataques do Bem?
Regressado ao filme de ficção, alguém me esclarece onde está o Mal e onde está o Bem?
Quem nos empresta dinheiro para sairmos da crise, com contrapartidas a preço impagável (no sentido literal da palavra), para já não falar do capital liquído emprestado, para o qual pouco sangue nacional restará para o pagar, é do Bem, ou é do Mal?
E a quem leva ondas de descontentes a meter-se em Greves e Manifestações, provocando um… - pelo menos aparente - descer de produtividade, da produção, de aumento da revolta, do espalhar da destruição (sim, porque os ânimos começam a pedir sangue quente), de que lado é que os vamos colocar?
E se isto tudo descambar para estalidos saídos de tubos metálicos, como é que vai ser?
De que lado vamos ficar a apontar, se ainda por cá andarmos?
Dos que nos vieram emprestar a preços usurários, mesmo sabendo das dificuldades (verdadeiras incapacidades) de retribuir o acordado?
Dos que, "coitados", inteligentemente montaram(se em) esquemas de compadrio, de corrupção, semearam obras de que não necessitaríamos prioritariamente, ou cavalgaram instituições financeiras, multiplicando o dinheiro dos incautos à conta de especulações e alavancagens dolosas, até à auto-falência, mas que agora se apresentam, ainda, em condições de garantir afilhados e cumplicidades, e até de probabilidades de distribuição de algum vil metal imaterializado em contas em off-shores, por isso angariando simpatias interesseiras?
Ou dos que, lutando contra os do outro lado, montam circos de descontentamento, ou os exacerbam ao máximo, descurando os efeitos sociais, económicos e financeiros dos mesmos?
Onde é que está o Bem e onde é que está o Mal?
Ou será que o Bem e o Mal, neste mundo de valores diluídos, sequer existem?

Tuesday, 22 November 2011

Manchester United vs. S.L. Benfica

A cápsula "Roma", da Nespresso, já se encontra instalada.
"The Balvenie" repousa os seus aromas, sabores, cor e corpo, mesmo à mão. Chávena aquecida, copo largo e uma cigarrilha, não longe da vista.
O canal 10, da MEO, aguarda o apito inicial, apontado ao apito final.
Aguardo os golos do meu Benfas.
A sala está montada, apenas aguardo o espectáculo, com climaxes vermelhos portugueses sempre em número superior aos dos ingleses.

Que suba o pano!

P.S.:
Resultado final em OLD TRAFFORD
MANCHESTER UNITED   2      -      SPORT LISBOA E BENFICA  2

Thursday, 3 November 2011

E nós a vermos a União Europeia grega e mais titubeante que nunca!

Ta panta rei”.
Fala-se muito do fim da União Europeia mas, de direito e de facto (talvez devesse ter invertido os termos), tal coisa não existe.
O que temos, o que apenas temos, são comunidades de interesses temáticos, cheios de reservas em formas de anexos, mas também no corpo dos textos, com velocidades diversas e sentidos distintos, quando não muitas vezes opostos, em que uns estão dentro e outros fora, e nem sempre são os de dentro que ditam as regras.
Esta União não existe, não quiseram que existisse, quando foram impondo aos povos aquilo que a eles, e só a eles, competia decidir. Em vez de trabalharem para a inclusão da maioria, esforçaram-se pela exclusão, pelo vergar aos todos poderosos.
Agora, que se cuidem!
Ta panta rei”.

Friday, 21 October 2011

Voltei e encontro tudo pior

Ausentei-me do país, por uns quinze dias, e, quando volto, encontro-o pior do que nunca, mas com a sensação que isto apenas está a começar a descambar - para não ser mais drástico.
Eis que me veio parar, por e-mail, o desabafo de um amigo, com este vídeo que acho um primor para sabermos do que falamos quando nos referimos ao estado do país, não apenas o de agora, mas desde que se elegem aqueles que nos deviam representar como comunidade, internamente, governando para todos, e externamente, defendendo os interesses do país, mas acima de tudo, esperamos nós, que se respeitassem a eles próprios, enquanto eleitos.
O que têm feito, ao longo de 30 anos, está bem caricaturado no vídeo: prometem, numa ignorância que os não abona; mudam de rumo, na falta de carácter de que são portadores desde nascituros; roubam a uns, com argumentos da necessidade de todos, mas sem meterem a mão aos seus bolsos e aos dos seus; mantêm-se no poder, mesmo quando confrontados com a verificação de personalidade de lesmas ao calor.

Tuesday, 4 October 2011

Voo rasante por Itália - Bolonha

Bolonha foi, também, um ponto de passagem ultra-rápido, com paragem não prevista no programa.
Por isso, dado o limite do tempo concedido, dei uma fugidinha ao centro histórico.
Deixo-vos com uma rápida visita.

Thursday, 29 September 2011

A nossa janela para o horizonte sem fim

O mar!
Essa janela, do tamanho de um grande portão, que a natureza nos ofereceu.
O calendário português marca, hoje, a celebração do Dia Mundial do Mar.
O Dia foi criado pelo Conselho de Administração da Organização Marítima Internacional (IMO) e foi comemorado pela primeira vez a 17 de Março de 1978, durante a Convenção da Organização Marítima Consultiva Intergovernamental (IMCO).
Actualmente, a comemoração decorre na última semana de Setembro, mas o dia exacto em que é celebrado é, contudo, da responsabilidade de cada Governo.
Esta data é destinada a chamar a atenção para a importância da navegação segura, da segurança marítima e do ambiente marinho e para enfatizar o trabalho da Organização Marítima Internacional.

Wednesday, 28 September 2011

Voo rasante por Itália - Pádua e Pisa

O grupo fez uma rasante, quer a Pádua, quer a Pisa.
Quase nem deu para sentir os pés nessas cidades. A bem dizer, em Pisa não se sentiram, propriamente.
Foram pontos de passagem para outros destinos que estavam no roteiro programado.
PÁDUA, como não podia deixar de ser, tinha uma atracção histórica marcada connosco: A Basílica de Santo António de Lisboa - perdão, de Santo António de Pádua, "O Santo", que é o padroeiro da cidade (não digo das cidades porque, em Lisboa, reina S. Vicente).
A Basílica é um monumento aos sentidos visuais mas, como em quase todos os monumentos em Itália, o "no photo" é um aviso prévio e um grito permanente nos ouvidos. Aqui, dado pelos homens da segurança e pelos "santo antoninhos" modernos que não param de andar a vigiar os turistas. E são demolidores, na forma como são dados e escutados.
Mas, por Itália, houve locais onde o "no photo" foi substituído pelo "no flash", ou mesmo nenhuma restrição é apontada, haja Deus e Santo António de Lisboa!
Voltando à Basílica de Pádua, um dos pontos de maior afluxo humano é o local onde fica o que resta do que foi mais humano de "O Santo": o seu corpo .
O tempo ter-se-á encarregado de uma parte da sua destruição, mas o canibalismo de órgãos e partes do corpo tê-lo-á precedido, para distribuição de relíquias "urbi et orbi".
Eis como o movimento religioso nascido de Cristo, desde cedo na sua história, cavou fossos de contradições: propaga a vida, mas apela ao sofrimento e incide os seus signos em tudo o que é a morte. A culminar, quem for santo verá o seu corpo ser retalhado - língua, coração, etc, etc, cortados aos pedaços, metidos dentro dos relicários, e espalhados pelas igrejas.
E, como não é no momento do nascimento, mas da morte, que a Igreja coloca a enfâse, eis que um santo nascido em Lisboa, porque morreu em Padova, ali tomou o nome.
O conjunto de fotos que se seguem às de Pádua é relativo "à memória" de PISA, à "cittá de Pisa" que, de facto, não mais são que fotos tiradas na Praça dos Milagres, onde se situam imponentes monumentos religiosos (até um cemitério, muito visitado, mas que, por mim, deixei para visitar quando partir deste mundo), incluindo o monumento mais olhado: a Torre inclinada de Pisa.
Há um local com marcações no asfalto para facilitar a tiragem da posição de foto mais gasta daquela torre (sempre esgotado, pelo que há que escolher outros locais): alguém coloca-se como se estivesse a suportar a inclinação, ou a empurrar a torre para o lado onde se inclina, e o fotógrafo, em ponto estratégico, lá dispara a máquina.
Como podem ver nalgumas fotos, nem todos os fotógrafos conseguem o "efeito visual" pretendido.
Vou agora a correr para o autocarro, digo, avião, a ver se ainda consigo fazer mais visitas.
Até lá.

Sunday, 25 September 2011

Voo rasante por Itália: Verona

Retomando o voo.
A parte da cidade que me viu passar, apresentava-se com alguma notória degradação na manutenção das fachadas dos edifícios, um pouco escura.
 Verona é um dos locais onde se passa a história da peça Romeu e Julieta, escrita por William Shakespeare.
No centro da cidade existe uma vila (palacete) onde, pelo que conta a história, Julieta morava, e que é o grande marco da cidade, que recebe a fama de cidade dos namorados, atraindo centenas de turistas. E, claro, também lá caí, vendo um corropio de almas entrando e saindo da pretensa casa onde se desenrolou o azarado namoro; as réplicas da cama e dos trajes do Romeu e da Julieta, e uma estátua de Shakespeare, afinal merecida, pois é o responsável pela romaria permanente de turistas que, a troco de uma qualquer sorte prometida, se atropelam a passar as mãos pelo peito direito da estátua de Julieta, já bastante polido de tanto teimoso esfreganço.
Vamos a algumas vistas.

Wednesday, 21 September 2011

Homenagem à maternidade. Botero.

Andei por cá, sem sair, mas sem entrar na net, ou quase. Mal entrava, logo saía.
Paredes a pintar, cabos desligados - da electricidade, do telefone, da tv e da net - obrigaram-me a passear-me com o mini a tiracolo, à procura de pontos de net grátis, nada fáceis de encontrar, especialmente quando deles se precisa.
Da minha última incursão pelas fotos, ainda guardei algumas por apresentar, como as que se seguem. Perto do Parque Eduardo VII.
A ver se retomo a teclagem, dentro de pouco tempo, agora que os cabos começam a ligar-se.
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Tuesday, 6 September 2011

Red Bull - 2ª Corrida Carros Loucos - Lisboa 2011/09/04


Parque Eduardo Sétimo, em Lisboa.
Antigamente, chamavamos-lhes "Carros de Caixas de Sabão", mas já não são.
Carros loucos, feitos por gente atinada, correndo como loucos, numa louca corrida.
Boxes com louca animação que se propagou aos milhares de mirones que me dificultaram a posição para apanhar melhores olhares.
Pareceu-me que com uma prova ao teor de sangue no alcoól a cada condutor e... nem um seria autorizado a pegar no volante.
Nem todos chegaram à meta e nem todos chegaram inteiros. Alguns chegaram a uma velocidade que deu para os penduras corredores a pé chegarem ao mesmo tempo. Mas houve os que pareciam foguetes.
Uma crítica à organização por se ter esquecido que, actualmente, cada espectador é um fotógrafo. Uff, como foi difícil sacar umas fotos, desde as boxes (havia o anúncio de que estavam abertas ao público, desde as 10:30, e que a corrida começava às 15:00, mas não disseram quando é que as boxes fechavam!).
Ainda assim, um balanço muito positivo. Valeu a pena.

Tuesday, 30 August 2011

Da Mouraria ao Castelo, espraiando o olhar


Passeio de um domingo ensolarado.
Zonas recuperadas, outras em que se nota a destruição total à porta, gentes sempre solícitas a cada canto, especialmente para os turistas, becos em que assusta entrar e nos leva a um recuo estratégico, assim que se nota quem por ali está e o que deve andar a fazer, sempre à espera de incautos, não me fossem confundir com algum turista que, de máquina fotográfica na mão e saco de objectivas pendurado, por ali andasse cheio de euros ou dólares, história, muita história em cada pedra, cada parede, cada azulejo. Cidade escura à procura de manutenção e recuperação, antes que caia, mas com uma luz que só ela tem.
Fados que se ouvem a acompanhar a sardinha assada, música de encanto para turistas de fora e de dentro, vinho e pão e saladas, bacalhau de mil e uma formas, sempre uma tentação e foi a minha.
Colina que leva ao Castelo.
É Lisboa.
O "Terreiro do Paço" quase a ser uma Praça do Comércio enquanto ainda é o Centro Burocrático que nos pensa como amealhar o trabalho dos nacionais, o Rossio e a Praça da Figueira, lá em baixo, o Panteão ali ao lado, a "outra banda" a perder-se no olhar distante.
Ah! E o Castelo de S. Jorge, em festa pró-medieval, em que mal se ouvem os gritos das gentes de há mil anos, mas não tarda se passarão a ouvir. Está a ficar lindo, o castelo, com o nosso primeiro de espada em punho, à entrada, olhando a sul, perscrutando os caminhos que teriam que se seguir.
E o Tejo, azul-prata e ouro com aromas a pimenta, a cravo, a canela e a diamantes, correndo, sem parar, ao sabor das marés, ora subindo um pouco, ora descendo muito, rumo ao Atlântico da nossa salvação passada e, penso, futura.
Foi um simples passeio de um domingo ensolarado.

Sunday, 21 August 2011

Portogallo Profundus


Andando por este canto perdido nos confins da Europa, onde a terra acaba e o mar começa, sobem-se os 1.085 metros de altitude da Serra da Freita, bem dentro do concelho de Arouca, e vamos direitos ao seus dois grandes atractivos (que há mais, eu vos digo), as PEDRAS PARIDEIRAS - as duras (porque há as outras, as comestíveis, que fazem parte da doçaria conventual local), e a (cascata da) FRECHA DA MIZARELA - nome bem sugestivo, aproveitamos e espraiamos o olhar pelas aldeias, até ao mar, mergulhado no meio da neblina.

Friday, 19 August 2011

Quando Lisboa tremeu


Não tarda, temos o Natal a entrar-nos porta dentro.
Todos os anos, por essa altura, entra também pela porta aberta da chaminé que cai na lareira de fogo rodopiante, olhos postos nos flocos de neve a cair de pára-quedas na parte de fora - quadro que ficciono desde que me lembro das primeiras imagens do mundo, quando o Natal era no verão - "uma resma" de papel impresso que fica mais valorizado porque vem encapado e sob a forma de livros, uns quantos com umas palavras simpáticas escritas por quem mos faz chegar. Sempre que os recebo, penso na montanha de horas que vou necessitar para os devorar, ainda por cima, acumulados aos que poucos dias antes entraram no meu dia de aniversário. Ah, e aos que vou tomando aqui e ali, nesta ou naquela livraria.
E o meu aniversário e o Natal deste ano não tardam, que os relógios que consulto, desde há uns tempos, me parecem ter os motores demasiado acelerados. Tenho pois que vagar a prateleira dos não lidos, para dar lugar aos que para aí se perfilam.
Tudo isto para vos dizer que, entre uns tantos mais, acabo de ler o romance "Quando Lisboa tremeu".
É um bom filme ficcionado do terramoto e do maremoto que assolou Lisboa, em 1755, e das suas consequências.
Corrosivo quando olha aos fanatismos religiosos, leva-nos a uma viagem aos tempos em que os cuidados de limpeza, higiene e saúde estavam muito longe dos que actualmente temos (mesmo que sujeitos a críticas), à baixeza de sentimentos humanos que em cada canto de desgraça espreita uma janela de oportunidade de apropriação do alheio, incluindo do maior bem que é a vida, muitas vezes a troco do nada, de como é sempre possível ver meia dúzia de pessoas que, sem perder o coração, conseguem utilizar a razão para praticar o bem, de como aquele sentimento mais humano e de produção de vida, o amor, se mantém. Tudo num caldeirão que fervilha no meio do medo, da destruição, da incerteza e insegurança, do egoísmo no momento da tentativa de fuga, na grandeza dos animais que não são humanos ... ah, and last but not the least, entre sentimentos puros ou traiçoeiros, ou que o momento leva a pensar ser a última oportunidade de provar o cálice do prazer e da felicidade, com um enredo de paixões e de amores que atinge o seu climax no final do livro, surpreendendo o leitor, mesmo quando já se pensa que nada mais o poderia surpreender naquela estória.
Tenham um bom fim de semana e uma boa leitura.
Capa Completa

Tuesday, 16 August 2011

Portugal no seu melhor

Na Boca do Inferno, em Cascais.
Esta placa já está assim desde há uns meses. Muitos.

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A gaivota farta-se de olhar para a dita placa e tenta interpretar o seu significado, especialmente a parte escrita :-))

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Mas há muita gente que também não percebe nada do aviso.
Em tempo de grande afluxo turístico, alguém com obrigações na área deveria ter feito alguma coisa.
Claro que o perigo na área é mais que intuitivo, até para uma criança. Mas das duas uma, ou é necessário o aviso... ou não.

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Monday, 8 August 2011

America's Cup, Cascais 06 > 14/08/2011 - Flashes do "Circo" e ambiente

Updated 14.08.2011. The End.
O programa começou dia 6. Mas o dia não foi famoso. Chuva, vento tocadinho, mais que q.b., e sol praticamente ausente, deixaram para o dia seguinte, ontem portanto, os meus olhares sobre as novas máquinas que aproveitam o vento como nunca o mar o aproveitou.
As máquinas do AMERICA's CUP estão equipadas com uma vela principal que - chama-se vela e não asa de avião porque a tradição, na vela, ainda é o que era - que as lança sobre as águas a uma velocidade e capacidade de manobra impressionantes.
Domingo de sol "à verão", a assistência não se fez rogada.
Andei a olhar, enquanto e durante o tempo que pude, ora para o mar, ora para as areias, ora para as "gares" de recolha das máquinas e toda a sua azáfama, ora para a paisagem, ora para um gelado servido em cima de um crepe.
Foram muitos olhares. Só apresento os que consegui filtrar.
A ver se correm sem que se façam sentir o peso.
Tendo em conta que o programa vai até ao dia 14, se e sempre que tiver olhares novos, deixo-os inseridos no álbum.

Thursday, 4 August 2011

Pastando


É tempo de férias.
Anda tudo com as hortaliças ao sol e nada melhor do que eu, também, ir pastar durante uns dias, fazendo um intervalo aqui, outro ali, outro quando calhar, o mesmo é dizer, até que um momento me leve a vir cá deixar um dos meus "Gritos de Revolta", ou "Tangos", quem sabe, outros "Olhares".
Éguas Lusitanas apartadas dos machos.
Mãe e filha "inseparavelmente juntas".
Vistas na Quinta, no Cartaxo.

Tuesday, 2 August 2011

Super Chefe de Gabinete e coisa e tal


É só mais um caso em tão pouco tempo de Governo.
E como era grande a expectativa de todos nós, mesmo os que não se reconhecem nas cores laranja e/ou azul, "torcendo" e cruzando os dedos, e muito, para que se não confirmasse que todos os males que andavam à volta da política se viessem a verificar novamente, remetendo-nos a todos para a máxima de que, em Portugal, a democracia revela que o carácter das gentes da política é tão gelatinoso e tão entranhado nas células de todos os corpos, que só um regime não democrático poderá restaurar - à força e à paulada - os valores que são necessários e exigíveis e exigidos a quem governa um país, dito pobre, como o nosso.
Parece que a maior pobreza vem sempre do mesmo lado, e não é propriamente, nem dos mais pobres, nem sequer daqueles que se diz pertencerem à classe média.
Claro que podería estar a pensar (e muita gente já pensou e já o disse, por exemplo AQUI ) em outras razões para se contratar alguém com uma remuneração mensal acima, muiiito acima, do que é normal para o cargo, mas nem vou falar delas. Fico-me pela justificação do ministro Álvaro Santos Pereira: a pessoa em causa, coitadinha, está a perder 50 mil para estar a desempenhar as funções.
Oh senhor ministro, então e se estivesse a perder 100 mil, ou 200 mil, quanto é que lhe ia arbirtrar para vencimento mensal?
Então, mas V.Exª acha-se assim tão inteligente e ao resto de todos nós, incluindo aos deputados a quem deu essa justificação (menos os da cor, claro), tão burros? Já é o segundo ministro deste governo a demonstrar tal complexo de superioridade. Já são demais e em tão pouco tempo!
Afinal, quem aceita os lugares de serviço público tão nobre, como o de governar um país (neste caso refiro-me aos chefes de gabinete, mas podem-se incluir todos os que fazem parte das equipas ministeriais), fá-lo em função de uma contabilidade de Perdas e Ganhos pessoais? Imediatas? Sim, porque das mediatas, pelo andar da carruagem, também já podemos imaginar o que vai acontecer assim que começarem a sair dos cargos.
IRRRRAAAAA!
Volta José Sócrates que, não tarda, tens a maioria absoluta contigo!
Estás perdoado!
Afinal, todos os males estão nos genes das gentes lusas e não há volta a dar a isto.

Monday, 1 August 2011

A Casa da Restinga


Tinha prometido vir falar, novamente, de um amigo e, muito especialmente, da sua última obra intitulada “A Casa da Restinga”. O livro lê-se de corrida e, pelo menos para mim, mas acho que, pelo menos, para quem tem o Lobito e Angola no coração, como é o meu caso, foi e será uma boa experiência.
Por motivos que, infelizmente, não posso dizer que me são alheios, embora involuntários (uma falha minha levou-me a clicar no link de uma mensagem electrónica, cuja indicação do remetente me devia ter colocado de sobreaviso, e... aconteceu: computador em muletas a ir para os técnicos. Em tempo de férias, é sabido que leva sempre mais dias a regressar com os ossos “quase” todos no sítio), fizeram com que só agora voltasse a esta minha página.
“A Casa da Restinga” tem no estilo romance, com que vem anunciado, o seu pano de fundo para, por ele, o autor discorrer a matéria principal, o seu objectivo, num misto ora de discurso histórico ficcionado, embora assente em pesquisas documentais, ora de discurso opinativo, passando a sua perspectiva pessoal e crítica acerca da história política, militar, social e económica de Angola, ora, muito indirectamente, de discurso sentimental e descritivo dos locais e modos de vida lobitangas mais ou menos actualizados, com certeza mais assente em vivências de terceiras pessoas que por lá ainda permanecem ou por lá permaneceram até mais tarde, do que por vivência própria. Isto digo eu.
Do título do livro poderia induzir-se que toda a trama se desenrolaria na Restinga. Não é assim. Somos também levados a outros cantos, nomeadamente, à Baía Azul, a maravilhosa praia azul-esmeralda de Benguela.
A Restinga é um bairro da cidade do Lobito, Angola, que se estende pela restinga ali existente e que foi sendo aumentada ao longo de anos, desde a zona da Colina do Sol, uma obra de arte da engenharia civil, até ao Farol, na ponta oposta.
O Lobito não necessitaria da Restinga para ser considerada a “Sala de Visitas de Angola”, mas aquela língua de areia e rocha mar adentro, atirando para um lado o mar com ondulação forte a perder-se num horizonte sem fim e, para o outro lado, o que dele restava amansado em forma de piscina, permitiu a que no meio se tivesse construído aquele bairro – A Restinga, acrescentou um considerável grau de beleza à cidade. Foi aí que, durante o período colonial, se ergueu o bairro mais chique da cidade e que ainda hoje, ao que sei, mantém a sua velha beleza sempre jovem. Foi esse o bairro escolhido pelo autor para fazer passar a maior parte da trama.
Não podia passar sem vos deixar algumas palavras de apresentação do livro, que o autor me endereçou quando do lançamento:

É um livro que escrevi com paixão, força e até traição. Também como ajuste de contas com a História, pois falo de guerra e de paz. Uma história de amor e de dor. Um livro resistente que suporta o sal das minhas lágrimas. Um livro de memórias de um tempo que foi o nosso e dos outros que por lá ficaram em Angola. Com revelações e confissões. Cheio de vida. Uma tentação para quando só nos resta a imaginação.
Carlos Ganhão


Deixou-me intrigado aquela afirmação de que o livro tinha sido escrito com ... “até traição”. E assim continuo, embora tenha já uma justificação. Assim que estiver com ele não vou perder a hipótese de o questinonar sobre essa parte, até porque ...“cada cabeça, sua sentença”.
CapaCompleta

Friday, 22 July 2011

Manada de golfinhos coloridos deu à costa sadina - Setúbal

Para este Verão, a zona ribeirinha de Setúbal foi decorada com roazes-corvineiros coloridos, produzidos para o concurso “Golfinho Parade”, e que, no Parque Urbano de Albarquel, estão a ser apresentados nas três posições consideradas mais icónicas para representar aqueles mamíferos da ordem dos cetáceos: a sair, a sobrevoar ou a mergulhar na água.
Começo por dizer duas coisas boas e duas coisas más, acerca deste evento.
Primeiro as más:
1 – Mas que raio de local foi escolhido pelo município para apresentar o evento, ainda por cima, tendo a cidade tantos, tão bons e bem melhores do que aquele para este fim. Mas acredito que terá havido razões para esta decisão. Como efeito visual fotográfico, em minha opinião, não poderia haver muito pior.
2 – Pior que a anterior, só o nome escolhido: “Golfinhos Parade”. Um composto de uma palavra em português e a outra em inglês. Se mais palavras houvesse... ficava-se a conhecer tantas línguas nacionais, quantas as palavras. Talvez o efeito fosse agradar a gregos e troianos, ou a português e turista.
Agora as boas:
1 - Foi uma boa ideia e é bastante apelativa, até tendo em consideração um dos objectivos assumidos: levar turistas à cidade. Melhor, só criar o hábito no calendário e repetir o evento (com algumas inovações) ano após ano.
2 – Ficam de parabéns todos os intervenientes: os mentores e dinamizadores da ideia e os participantes/artistas que pintaram as réplicas, com 2,5 metros de comprimento e envergadura à escala, dos roazes que habitam o Estuário do Sado.
“É impossível pensar no rio Sado e não o associar imediatamente aos golfinhos (roazes-corvineiros).
É impensável olhar para o rio Sado sem a expectativa de ver um golfinho a sair das águas num salto que nos continua a surpreender pela harmonia, pela beleza.
Golfinhos e baía de Setúbal, uma das mais belas do mundo, são duas imagens inseparáveis.
Por isso, decidimos promover uma acção que sublinhasse a importância dos golfinhos no imaginário sadino.”

Wednesday, 20 July 2011

Olhares perdidos da Arrábida

Por estes dias, e já têm sido mais do que deviam, sem se saber quando acaba esta contagem, Éolo tem deixado Bóreas e Zéfiro à solta e à luta, que nem demónios, em incerta direcção mas persistente força e intenções de estragar o Verão aos humanos destas bandas.
Louvo a resistência de muitos veraneantes que se aventuram até às praias e por lá ficam.
Eu também ia sendo apanhado pelo constante picar das areias, mas resolvi privilegiar uns olhares pela Serra da Arrábida, que aqui vos deixo.

Sunday, 17 July 2011

Voo rasante por Itália: LAGO DI GARDA


Em tempo de férias, nada melhor do que passear.
Vamos continuar o voo pela Itália, hoje pelo Lago di Garda, o maior lago da Itália. A viagem inicia-se em Sirmioni, na província de Bréscia, e termina em Peschiera del Garda, com passagem pelos portos de Garda, Bardolino, Lazise e Cizano, todas na província de Verona, com vista geral dessas cidades a partir do lago, que atravessámos sem tocar nas margens da província de Trento, a outra província que também é banhada pelo lago.
As vistas são simplesmente fascinantes. No entanto, as fotos não conseguem passar essa força hipnótica, quer pela (falta de) técnica do fotógrafo de serviço, quer porque, apesar do calor intenso que se fazia sentir, o sol só excepcionalmente se ter apresentado, ausência que aumentou a presença de neblina no ar.
O álbum poderá demorar mais tempo do que o habitual para carregar, pois tem muitas fotos (73). Como é minha norma, apresento as fotos sem demasiada preocupação com aspectos estéticos e de arte fotográfica. O meu objectivo aqui é o de mostrar "olhares citadinos".
Boa viagem e até à próxima.

Friday, 15 July 2011

Voo rasante por Itália: MILÃO

Fiz a aterragem de chegada em Milão e, dez dias depois, estava a levantar voo de regresso em Roma.
Convido-vos a virem comigo piscar os olhos a alguns pontos onde pousei o meu olhar.
Comecemos por Milão e, assim que puder, virei com voos rasantes por outras paragens.
Não se esqueçam de, ao iniciar, seleccionar a função "show info", na parte superior direita.
E tenham um bom fim de semana e boas férias (aproveitem-nas, que podemos entrar em crise e aparecer uma tesoura a cortar 50% das vossas férias. Tudo a Bem da Nação, claro está).

Tuesday, 12 July 2011

Dembos - a floresta do medo


DEMBOS para blogue
Deu à estampa, em Abril de 2007, este livro, primeira obra de um amigo de infância.

"Apresentado como romance, para mim é mais um conjunto de contos sobre duras experiências vividas, ainda que, por haver alguns elos de ligação entre eles, possa cair naqueloutra forma.
Discurso simples, mas bem escrito, vivo e sempre a prender o passo seguinte, foi leitura de alguns dias, propositadamente lenta, refreada, para poder sorver o prazer do filme que a narrativa me trouxe à mente, embora nunca tivesse ido até aos locais (reais) onde se passam as principais aventuras. Mas vivi algumas bem parecidas. E gostava de conhecer aquelas paragens. A forma como elas são pintadas, ofereceram-me essa viagem. A possível, para já.
Sente-se que a obra é despretensiosa quanto a querer vir a ser um “best-seller”, mas não esconde o objectivo de deixar fotos sob a forma de palavras (ainda que genéricas e, por isso, com alguns riscos – esta é a minha opinião):
- do que sentiu e sentia a juventude de então, naquelas duras condições, e de como em Angola, naquela época, se pensava sobre a guerrilha pela independência, na perspectiva de um dos lados, ou da defesa do território sob o poder político de Portugal, na do outro lado, e como ela se desenrolava;
- as barreiras mentais e culturais das gentes que apareciam idas da Metrópole (assim chamado o actual “torrão” lusitano) e as daquelas que lá tinham nascido, ou crescido desde muito cedo ou vivido uns quantos anos, pelo menos enquanto aqueles não bebiam e ficavam embebidos de uma maneira de ver a vida e o mundo bem diferente, bem mais avançado que era, sem dúvida, a dos angolanos;
- das conversas sobre os desejos e esperanças políticas que já eram sentidos pela massa humana residente, especialmente a mais jovem, que já sentiam que só passos autonómicos, quiçá de independência, poderiam levar a uma mudança do que de errado se fazia e estava à vista de quem queria ver, pese a perspectiva política ser ainda embrionária... mas livre;
- enfim, um testemunho do final dos anos de sessenta e início dos setenta, que antecederam a Revolução de Abril, tendo como palco principal aquela que foi uma das matas mais traiçoeiras de então.
Especialmente para quem por lá andou, de camuflado vestido e arma aperrada, ou não, ou para aqueles que sentem alguma curiosidade sobre aqueles espaços geográficos e temporais, aconselho a sua leitura (não tenho qualquer comissão, apenas comprei o livro e gostei)."

Isto escrevia eu no meu blogue de então, em 2007, num conjunto de posts que foram perdidos, por isso aqui o republico.

Eis que veio à luz do dia mais uma obra sua, o qual estou a acabar de ler e, por isso, ficará para um novo post.

Monday, 11 July 2011

Mascarando a cidade. Italy - Verona



A caça às moedas também dá para usar e pôr máscaras.

Aqui, bem junto ao palácio dos Capuleto, onde pretensamente ardeu um amor sem fim entre Romeu e Julieta.

Estamos, portanto, em Verona e não em Veneza.

Nem por isso, os trajes e as máscaras venezianas deixam de dar cor à rua.

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Thursday, 7 July 2011

Bike me? Italy - Milan




Bike Mi



O meio de transporte em duas rodas está em cada canto de Milão, especialmente nas áreas históricas.

Entre todos, saltaram-me aos olhos estas pérolas.

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Wednesday, 6 July 2011

Gondolando. Italy - Venice


Pachorrentamente, lá vão percorrendo os canais.
Nos mais largos, sem notórias preocupações com o trânsito. Nos mais estreitos, com pontos de engarrafamento a pedir mestria aos homens do leme, que a têm, pressente-se, desde que nasceram, mas que ainda assim nos causa alguma incerteza no avanço, nem tanto pelo bem que saberia um mergulho a amolecer o tórrido calor que se faz sentir. E é nestes canais que entoam e ecoam - por entre velhos e altos edifícios, mergulhados mais do que seria desejável, e sempre mais a cada ano que passa, numa água que nenhum ser vivo deve querer provar ou sequer entrar - cantos que alguns dos gondoleiros também se ajeitam a remar.
Chegada a viagem ao fim, conclui-se que não foi nada pachorrenta.

Tuesday, 5 July 2011

A crise anda por aí. Italy - Venice

Assim que se sentem apertos nos bolsos e cintos, aparecem, de imediato, as máximas ao chamamento das velhas medidas internacionais da economia, sob a forma de grito:

"fechem as fronteiras, consumam só o que é nacional!"

E se é verdade que por cá andam sons desses no ar, imaginem onde fui encontrar réplicas?

Isso mesmo, onde já se estará a sentir a terra a faltar por debaixo dos pés. Neste caso em concreto, em Veneza.

Em conclusão, só é bom fechar as fronteiras quando estamos anémicos, ou em vias disso.

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Tuesday, 14 June 2011

Vendo os comboios chegar e partir de Lisboa


Lisboa
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Estação de Santa Apolónia.
Junto ao Cais do Jardim do Tabaco, no Tejo.
Lisboa.

Sunday, 12 June 2011

Santos populares


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Junho é o mês grande, em Portugal. Mesmo se comparado ao mês das férias por excelência (Agosto), que tem mais um dia de calendário.

Os santos saltam prá rua e há arraiais em cada porta.

Em Lisboa, de vez em quando, o calendário é excepcionalmente generoso. O dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas dá as mãos ao dia da cidade e de Santo António, deixando o fim de semana a ligá-los.

Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto, ...

É nos bairros históricos que a festa ocupa todos os espaços, onde as pessoas se acotovelam, com o cheiro da sardinha assada a voar com o fumo das grelhas até todos os sensores olfativos que se encontrem nas redondezas, não deixando nenhum apetite de fora; são as mesas cheias e a algazarra no ar; são os sons das marchas populares a pedir uns pés de dança nos diminutos espaços dos recintos improvisados que ainda se encontram livres, é o vinho e a cerveja a correr. São os vasos de manjerico enfeitados com cravos de papel a acompanhar as quadras alegóricas ao Santo António, padroeiro da cidade, aos casamentos e ao amor.

E às centenas de quadras já existentes, nasce mais uma:

Pró S. António dar gozo,
Traz-me um arco, um balão
E um beijo bem caloroso,
Qu'eu dou-te o meu coração.
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Friday, 10 June 2011

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Estátua ao Adamastor, em Lisboa - - - - -

Hoje houve um misto entre festa no ar e olhares espelhando excesso de peso nas almas da maioria dos portugueses.

O Mostrengo reapareceu e ameaça.

Houve discursos carregados de críticas ao passado, telescópios apontados ao futuro, pedidos de Passos bem dados no presente.

Excelente o discurso de António Barreto. Tirem-se as consequências. Todas.

Hoje também é dia de festa da Nação que teima durar e durar e durar, pesem os seus estreitos limites geográficos. Conseguiu sair deste pequeno jardim mal tratado e deixar uma Pátria espalhada pelos cinco ventos, que se ouve e faz entender, por onde quer que se ande.

E é tempo de lembrar aquele que bem alto soube cantar os feitos heróicos deste nobre povo lusitano, porque o dia também é dele.

Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!

E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
E navegar nos longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:

Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do úmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mi que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo largo mar e pola terra
Que inda hás de sojugar com dura guerra.

Mais ia por diante o monstro horrendo
Dizendo nossos fados, quando, alçado,
Lhe disse eu: - Que és tu? Que esse estupendo
Corpo certo me tem maravilhado!
A boca e os olhos negros retorcendo
E dando um espantoso e grande brado,
Me respondeu, com voz pesada e amara,
Como quem da pergunta lhe pesara:

Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompônio, Estrabo,
Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda a africana costa acabo
Neste meu nunca visto promontório,
Que pera o Pólo Antártico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende.

Fui dos filhos aspérrimos da Terra,
Qual Encélado, Egeu e Centimano;
Chamei-me Adamastor e fui na guerra
Contra o que vibra os raios de Vulcano;
Não que pusesse serra sobre serra,
Mas conquistando as ondas do Oceano,
Fui capitão do mar, por onde andava
A armada de Neptuno, que eu buscava.

Eram já neste tempo meus Irmãos
Vencidos e em miséria extrema postos,
E, por mais segurar-se Deuses vãos,
Alguns a vários montes sotopostos.
E, como contra o Céu não valem mãos,
Eu, que chorando andava meus desgostos,
Comecei a sentir do fado imigo,
Por meus atrevimentos, o castigo:

Converte-se-me a carne em terra dura;
Em penedos os ossos se fizeram;
Estes membros que vês e esta figura
Por estas longas águas se estenderam;
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto Cabo converteram
Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Tétis cercando destas águas.

Assi contava; e, cum medonho choro,
Súbito d’ante os olhos se apartou.
Desfez-se a nuvem negra e cum sonoro
Bramido muito longe o mar soou.
Eu, levantando as mãos ao santo coro
Dos Anjos, que tão longe nos guiou,
A Deus pedi que removesse os duros
Casos que Adamastor contou futuros.

CAMÕES, “Os Lusíadas”, canto V

(extrato das estrofes 37 a 60 – resumo do episódio do Gigante Adamastor)


E houve, ainda, arremedos de manifestações políticas.